Sporting-Benfica, 0-2 (crónica)

17 jan 2020, 23:42

Só Deus sabe

Triste sina a do Sporting.

A esta equipa não basta ser melhor para ganhar: é preciso algo mais. Algo que é difícil perceber. Talvez tranquilidade, talvez fé. Provavelmente a tal estrelinha de que se fala tanto no futebol.

Senão vejamos: foi melhor frente ao FC Porto e perdeu, foi melhor frente ao Benfica e perdeu. Dois clássicos diferentes, é verdade, mas dois clássicos que bem espremidos vão dar ao mesmo: um Sporting demasiado frágil para ganhar sendo apenas melhor.

O que será preciso mais? Só Deus sabe.

Nesta altura vale a pena voltar dois parágrafos atrás para dizer que este dérbi foi diferente do clássico de há quinze dias. Antes de mais porque o Benfica foi melhor do que o FC Porto. Depois porque o Sporting conseguiu, ainda assim, ter porventura alguns dos melhores momentos da temporada. Momentos de pujança, de futebol criativo e de qualidade técnica.

Para uma equipa que não tinha melhores cartas para jogar do que Plata, Borja e Pedro Mendes – contra um adversário que jogou Rafa, Taarabt e Seferovic – não é nada pouco.

Ora por aqui também se explica o resultado. Quando foi preciso, Bruno Lage teve matéria prima para virar o jogo a seu favor. Sobretudo Rafa, ele que fez os dois golos e foi homem do jogo.

Curiosamente fê-lo na segunda parte, naquele período em que o Sporting até estava a ser mais avassalador, conseguindo chegar mais facilmente à baliza adversária. Não se pode dizer que tenha criado muito perigo, é verdade, mas andou ali a ameaçar o golo uma e outra vez.

Até que Rafa resolveu colocar um ponto final nesta história.

Curiosamente o jogo mudou muito depois da entrada do extremo. Vlachodimos tinha estado imediatamente antes a receber assistência, o jogo parou uns minutos, a euforia leonina arrefeceu e o Benfica regressou por cima: ou pelo menos com mais bola.

A partir daí, e com Rafa a dar à equipa o que lhe tinha faltado com Chiquinho – ou seja, mais presença em zonas de finalização –, o Benfica conseguiu finalmente desbloquear o nulo.

O Benfica que, convém também dizê-lo, não entrou em campo a correr: entrou a deslizar. Depois da derrota do FC Porto, e com a perspetiva de aumentar a vantagem sobre o rival, os jogadores sugiram soltos, rápidos, fortes e capazes. Ganharam bolas atrás de bolas.

O início de jogo foi encarnado, portanto, à boleia das oportunidades de Cervi, Vinicius e Pizzi. Até que Rafael Camacho atirou ao ferro, na primeira oportunidade leonina, e equilibrou as coisas. Rafael Camacho que, curiosamente, haveria de ficar outra vez perto do golo logo a seguir.

O Sporting foi crescendo, crescendo, mas não lhe serviu de nada. Como já se disse, é preciso algo mais para ganhar sendo só melhor. Algo mais que o Benfica tem, está bom de ver.

Por isso ganhou, saiu de Alvalade a sorrir e fechou a primeira volta com sete pontos de vantagem.

Vai lançado e, ao contrário da Leonor de Camões, formoso e seguro.

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