Estrela-Gil Vicente, 1-0 (crónica)

Tomás Brito , Estádio José Gomes
18 mai, 17:43

O Estrela vence e ‘renova contrato’ com a primeira divisão

Tarde de decisões importantes na Liga!

O Estrela entrou em campo com uma força extra vinda da bancada. A pedido do speaker, os adeptos criaram uma coreografia interessante quando as equipas pisavam o relvado e das bancadas choveram rolos de papel higiénico. Isso mesmo! Centenas de folhas de papel branco a esvoaçar para o relvado, música a dar nas colunas, adeptos a gritar e estava criado um ambiente intimidante para o coletivo do Gil Vicente. 

Ir para o último (e derradeiro!) jogo a fazer contas nunca é o bom, mas o Estrela viu-se obrigado a isso. Com a vitória na mente, para não ficarem dependentes do resultado do Portimonense, a equipa de Sérgio Vieira não entrou para brincadeiras e instalou a superioridade logo após o apito inicial.

A tática do Estrela era uma: chegar à baliza e marcar! Todos pediam, fossem os jogadores, staff ou até os pequenos adeptos que gritavam: ‘ESTRELA, ESTRELA, ESTRELA!’. O jogo é no relvado, mas a expressão do 12.º jogador não é, de todo, uma farsa! O público vestiu-se a rigor, saiu de casa num sábado quente e preencheu as bancadas da Reboleira. Com mais de sete mil apoiantes, o Estrela jogou com a crença de estar na Liga na próxima temporada.

24 minutos desde que se ouviu o apito incial de João Pinheiro e lá aparece o golo de Kikas… na altura certa! Com o coração do clube nas mãos, o avançado apareceu no momento certo e, no coração da área, cabeceou o esférico para o fundo das redes, após cruzamento certeiro de Nanu.

O jogo pedia por mais e o clube da Amadora tentou dar, mas a bola não queria entrar e o Gil Vicente continuava apenas a assistir ao poderio adversário. Tanto que, a dois minutos do intervalo, os gilistas fizeram três substituições para tentar alguma coisa de diferente.

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Ouviu-se o apito do árbitro e foi tudo para o balneário. Sérgio Vieira apelou à equipa bom senso, concentração e raça, enquanto Tozé Marreco apertou algumas orelhas (e com força!).

Mas acabou por servir para alguma coisa o raspanete, já que segunda parte parecia outro jogo. Notava-se um Estrela mais ansioso e desconcentrado e um Gil Vicente mais incisivo e dominante, isto pelo menos nos primeiros minutos.

Mas a partir dos 70m a maré voltou a mudar e a equipa da casa cresceu. Léo Jabá foi a principal arma ofensiva dos tricolores e várias vezes tentou rasgar pela direita, mas não estava a encontrar o apoio pretendido na área. Sérgio Vieira decidiu tirar Kikas e colocar André Luiz, mas a bola continuou a evitar a baliza.

A placa do tempo de compensação foi levantada e mostrou seis minutos! Mas a realidade é que para os fervorosos adeptos pareciam vinte. Jogou-se, roeu-se as unhas, gritou-se e lá surgiu o apito de João Pinheiro.

Voltas e reviravoltas na classificação,  calculadora ou caneta na mão, e o Estrela lá se manteve no principal escalão português. Com esta vitória, os Estrelistas deram uma cambalhota importante para o 14.º lugar, um acima daquele que estava no apito inicial. E o trabalho desta época está feito.

Um ano depois de subirem, o Estrela ‘renova contrato’ com a primeira divisão.

O Portimonense venceu (3-1), mas vai disputar o playoff, depois de ver o Estrela a vencer o Boavista a empatar (2-2).

No fim, os ânimos exaltaram-se e gerou-se uma enorme confusão no relvado, obrigando mesmo a polícia a intervir. Jogadores, treinadores e staff juntaram-se no centro do relvado e choveram cartões vermelhos. Momento triste no futebol português. Início da confusão esteve num bate boca entre ambos os treinadores.

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