"Há duas semanas que não durmo". Pai de norte-americana libertada pelo Hamas revela como recebeu a notícia

21 out, 12:16

Uri Raanan, pai de Natalie e ex-marido de Judith, revelou que está aliviado com a notícia da libertação e que na próxima semana a família vai celebrar junta o aniversário da filha

Judith Tai Raanan e a filha de 17 anos, Natalie Raanan, foram libertadas pelo Hamas na sexta-feira, quase duas semanas depois de ter lançado um ataque mortal em Israel e raptado cerca de 200 pessoas.

Segundo a CNN Internacional, as cidadãs norte-americanas foram entregues à Cruz Vermelha e levadas para uma base militar israelita, onde iriam encontrar-se com a família. Em declarações aos jornalistas em Chicago, Uri Raanan, pai de Natalie e ex-marido de Judith, afirmou que estava aliviado com a notícia da libertação.

"Há duas semanas que não durmo. Esta noite vou dormir bem. Na próxima semana é o aniversário da Natalie, no dia 24, e vamos festejar o aniversário dela aqui em minha casa. Vou abraçá-la e beijá-la, e vai ser o melhor dia da minha vida", afirmou.

Uri Raanan revela que soube da notícia através das muitas imagens que recebeu da televisão em Israel onde a libertação de Judith e Natalie foi transmitida, mas mais tarde foi contactado pelas IDF.

"Mais tarde, recebi um telefonema das IDF. Disseram-me que iam ter com elas e que me telefonariam depois de estarem com elas. Ligaram-me e falei com a minha filha nessa altura. Ela soa muito bem, está com bom ar. Estava muito feliz e está à espera de voltar para casa. A mãe dela tem um pequeno arranhão na mão, mas disse-me que não é nada. Está bem. Falei há pouco com o presidente Biden. Agradeci-lhe a sua preocupação e a sua ajuda para os libertar. E ele foi muito, muito simpático", contou.

Também o presidente dos EUA, Joe Biden, revelou estar "muito feliz" com a libertação das duas cidadãs norte-americanas e de estas irem "em breve reunir-se com a sua família", reiterando que a sua administração tem estado a "trabalhar 24 horas por dia" para libertar os americanos mantidos como reféns pelo Hamas.

"Jill e eu temos guardado nos nossos corações todas as famílias de americanos desaparecidos", afirmou. "E, tal como disse a essas famílias quando falei com elas na semana passada, não vamos parar enquanto não levarmos os seus entes queridos para casa. Como presidente, não tenho nenhuma prioridade maior do que a segurança dos americanos mantidos como reféns em todo o mundo."

Oriundas de Chicago, Judith e Natalie tinham viajado para Israel para visitar familiares em Nahal Oz, uma comunidade agrícola no sul do país, quando acabaram reféns a 7 de outubro. Foram libertadas duas semanas depois por "razões humanitárias", uma vez que a mãe se encontra em mau estado de saúde, revelou uma fonte familiarizada com as negociações para a libertação das Raanan à CNN Internacional.

"Em resposta aos esforços do Qatar, as Brigadas Al-Qassam libertaram duas cidadãs americanas (uma mãe e sua filha) por razões humanitárias e para provar ao povo americano e ao mundo que as alegações feitas por Biden e pela sua administração fascista são falsas e sem fundamento", afirmou o porta-voz do Hamas, Abu Obaida, afirmou.

Durante o ataque, os militantes do Hamas mataram mais de 1.400 pessoas, incluindo civis e soldados, segundo as autoridades israelitas. Foi o ataque mais mortífero perpetrado por militantes em 75 anos de história de Israel. Desde então, Israel respondeu decretando um bloqueio a Gaza e lançando uma série de ataques aéreos contra o enclave palestiniano, agravando a sua crise humanitária. Os ataques aéreos israelitas em Gaza já mataram mais de 4.100 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde palestiniano.

Para além das vítimas mortais, há dezenas de raptados, entre os quais vários cidadãos estrangeiros, nomeadamente dos Estados Unidos, do México, do Brasil e da Tailândia. As informações sobre a situação, a localização e a identidade de todos os reféns continuam a ser escassas. Alguns foram identificados por famílias que os reconheceram através de vídeos online, dando origem a pedidos desesperados para o seu regresso.

Numa declaração de sexta-feira, o Hamas disse que está a trabalhar com mediadores no Egipto, Qatar e outros "países amigos" para libertar os cidadãos estrangeiros. "Este compromisso mantém-se firme, na medida em que nos esforçamos por pôr em prática a nossa decisão de libertar indivíduos de nacionalidade estrangeira sob custódia temporária, se e quando as circunstâncias de segurança o permitirem", refere o comunicado.

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