Padres acusados de abuso de menores em confessionários e acampamentos católicos

11 mai, 08:49
Crucifixo

REVISTA DE IMPRENSA. Pedopsiquiatra que lidera a comissão independente a recolher denúncias de abusos sexuais de menores na igreja católica revelou que há queixas de todo o país e que os abusos decorriam durante confissões das crianças, antes de comunhões ou casamentos

Há relatos de abusos sexuais de menores perpetrados por padres em sacristias, durante acampamentos católicos, mas também em "confissões feitas antes das comunhões ou casamentos". A revelação foi feita por Pedro Strecht, pedopsiquiatra e coordenador da comissão independente que está a recolher denúncias de abusos sexuais na Igreja Católica portuguesa, em declarações ao Jornal de Notícias (JN).

Segundo o especialista, se no início havia mais depoimentos de abusos no Norte e Centro do País, agora as denúncias estendem-se a todas as regiões.

"Temos do Alentejo, Algarve e ilhas. Temos mais casos onde há mais pessoas, Lisboa e Porto. Não consigo dizer se há um distrito que seja predominante sobre outro nesta fase", disse ainda Pedro Strecht ao JN. 

Recorde-se que na terça-feira, em conferência de imprensa, a comissão independente criada para investigar estes crimes no seio da igreja revelou que subiu para 326 o número de queixas de abusos sexuais. 

Daniel Sampaio, um dos membros da comissão, disse que se tratavam de "testemunhos verídicos e sofredores". Já a investigadora Ana Nunes de Almeida sublinhou que o número de potenciais vítimas pode ainda atingir "muitas centenas".

"Temos 326 testemunhos recolhidos até ontem [segunda-feira], de mais homens do que mulheres, de todos os grupos etários, de todos os níveis de escolaridade e temos todas as modalidades de abuso representadas no inquérito", afirmou a socióloga, acrescentando ainda que "além dos 326 testemunhos diretos, somando o número de outras pessoas que dizem ter sido vítima de abuso também, esse número sobe para muitas centenas de crianças e adolescentes". 

A investigadora e membro da comissão garantiu também que “as entrevistas com dioceses estão a decorrer a muito bom ritmo” e que têm sido recolhidos relatos de experiência de contactos com abusos.

A 12 de abril, o coordenador Pedro Strecht revelou que pelo menos 16 queixas já tinham seguido para o Ministério Público. Em causa, estão investigações a padres no Norte e Centro do país que se mantêm no ativo, sabe a CNN Portugal. Os párocos foram denunciados por abusos cometidos sobre crianças em situações cujos crimes não estão ainda prescritos. Na altura, tinham sido validados 290 testemunhos. 

Esta terça-feira, Pedro Strecht disse que já existiam mais casos de queixas de vítimas que não prescreveram e que estão preparados para serem enviados ao MP. "Já foram enviados 16, mas em breve seguirão mais", manifestando a expectativa de uma atuação célere da justiça.

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