O que fazer em caso de hepatite A, como evitar o contágio: leia e partilhe, a DGS alertou para surto em Portugal

CNN Portugal , DCT
13 mar, 15:33

Último surto deste vírus tinha acontecido entre 2016-2018, segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. DGS reportou agora um surto de hepatite A, com 23 casos em Portugal

Em apenas dois meses, a Direção-Geral da Saúde (DGS) diz que Portugal está perante um surto de hepatite A, tendo identificado 23 casos - a maioria dos casos são homens com idades entre os 20 e os 49 anos, 44% em contexto de transmissão sexual. Nenhum caso evoluiu para uma situação grave e não foram registadas mortes, mas o alerta já está em curso

1/ O que é a hepatite A?

É uma infeção aguda no fígado causada pelo vírus VHA (vírus da hepatite A). Por norma, a doença é benigna. “Geralmente a hepatite A não provoca complicações graves ou danos permanentes e as pessoas recuperam completamente”, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde.

2/ Como se contrai o vírus?

A ingestão de alimentos ou água contaminados é a forma mais comum de contrair o vírus. No entanto, o vírus também pode ser transmitido por contacto pessoa-a-pessoa, nomeadamente através do contacto sexual, tal como se tem verificado neste recente surto em Portugal.

3/ Quais os sintomas?

A icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos) é o sinal que mais capta a atenção, mas os sintomas são variados e dependem da idade da pessoa infetada. Até aos seis anos, por exemplo, a doença pode ser assintomática, no resto da população manifesta-se com febre, mal-estar, náuseas e vómitos, dor abdominal, perda de apetite e fadiga. É ainda importante prestar atenção a sinais como urina de tom escuro ou fezes esbranquiçadas.

4/ Como saber se contraí o vírus?

Em primeiro lugar, é preciso atentar aos sintomas e contactar um médico, pois o diagnóstico “envolve a história clínica completa do utente, com pesquisa de sintomas e a realização de exames, como análises de sangue com pesquisa de anticorpos para o vírus”.

6/ Tenho hepatite A - e agora?

“A ingestão de álcool é absolutamente desaconselhada e os fármacos com metabolização hepática ou que possam ser prejudiciais para o fígado devem ser utilizados com precaução”, diz o SNS. Além disso, recomenda a CUF, deve “permanecer em repouso relativo durante a convalescença”. Da parte dos profissionais de saúde, a DGS recomenda a notificação dos casos suspeitos no SINAVEmed, a realização de um inquérito epidemiológico e ainda a notificação de imediato pelos laboratórios de casos confirmados.

7/ É contagiosa?

Sim, muito. Uma vez que “o VHA é eliminado nas fezes, em elevadas concentrações, desde duas a três semanas antes até uma semana após o aparecimento dos sintomas”, a hepatite A “pode originar surtos com pessoas infetadas durante várias semanas ou até meses”, lê-se no site do SNS24

8/ Qual o período de incubação do vírus?

A média é de 28 dias, variando de 15 a 50 dias.

9/  Como se evita o contágio?

Ainda segundo o site da CUF, o contágio pode ser evitado com a boa higienização das mãos, com o consumo de “alimentos que acabaram de ser cozinhados” e com a ingestão de “água engarrafada comercialmente ou fervida se não se tiver a certeza do saneamento local”. No caso dos viajantes ou de pessoas que estão “num local com saneamento impróprio”, a CUF recomenda também “comer frutas descascáveis” e apenas comer vegetais crus se tiver a certeza “de que foram limpos ou desinfetados completamente”.

10 / Há pessoas mais vulneráveis?

Sim, sobretudo devido a comportamentos. Segundo o Serviço Nacional de Saúde, “viajantes ou habitantes em locais com condições de saneamento básico deficitárias” e “homens que fazem sexo com homens”, assim como pessoas em situação de sem-abrigo ou que consomem drogas, estão entre as mais suscetíveis. Há ainda um maior risco para quem tem doença no fígado ou tem o vírus da imunodeficiência humana (VIH). “Não lavar as mãos após a utilização da casa de banho, mudar as fraldas e antes de preparar os alimentos” e consumir alimentos mal lavados e mal cozinhados (sobretudo proteínas de origem animal) são também fatores de risco.

11/ Há tratamento?

Não. Por se tratar de uma doença benigna e autolimitada, “”o tratamento é dirigido aos sintomas causados pela infeção” e passa pelo uso de “medicamentos para alívio de sintomas e, simultaneamente, recomenda-se a ingestão de muitos líquidos e repouso”.

12/ Há vacina?

Sim e esta é a forma mais eficaz de prevenção, embora não esteja incluída no Plano Nacional de Vacinação e apenas pode ser administrada após prescrição médica. Segundo a DGS, os contactos de casos confirmados – sejam coabitantes e contactos sexuais – devem ser vacinados até duas semanas após a última exposição.

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