Financial Times diz que Xi advertiu pessoalmente Putin contra o uso de armas nucleares na Ucrânia, Kremlin não confirma

5 jul 2023, 16:00
Vladimir Putin recebe Xi Jinping em Moscovo (Foto: AP)

Confrontado com esta informação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não conseguir confirmar qualquer contacto entre os dois líderes nesse sentido

O presidente chinês, Xi Jinping, advertiu pessoalmente Vladimir Putin contra o uso de armas nucleares na Ucrânia, manifestando-se preocupado com a evolução do conflito.

A informação foi avançada esta quarta-feira pelo jornal Financial Times, que indica que o alerta de Xi Jinping ocorreu durante a visita do presidente chinês a Moscovo, em março.

Confrontado com esta informação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não conseguir confirmar qualquer contacto entre os dois líderes nesse sentido.

Peskov disse mesmo que os gabinetes dos dois presidentes emitiram na altura comunicados sobre as conversações que mantiveram no âmbito dessa visita e que "tudo o resto é ficção".

Em todas as suas intervenções públicas, os líderes chineses têm expressado claramente a sua oposição ao uso de armas nucleares na Ucrânia. O Financial Times escreve que esta informação pode ser um sinal de que Pequim está a transpor a sua narrativa pública para as conversações bilaterais.

O jornal americano diz ainda, citando fontes ocidentais, que os chineses estão a assumir os créditos pois, alegadamente, terão demovido Vladimir Putin de usar armas nucleares. "Os chineses estão a colher os louros do envio da mensagem a todos os níveis", disse um oficial da administração Biden, sob anonimato.

De acordo com Shi Yinhong, conselheiro do governo chinês, o uso de armas nucleares por parte da Rússia, quer contra a Ucrânia, quer contra outro país europeu, é um risco enorme, dado que a Europa poderia virar-se contra a China, que tem rejeitado condenar abertamente a invasão russa.

"A Rússia nunca teve e nunca terá a aprovação da China para utilizar armas nucleares. Se a Rússia utilizar armas nucleares contra a Ucrânia, a China distanciar-se-á ainda mais da Rússia", disse ao Financial Times o também professor de Relações Internacionais na Universidade Renmin de Pequim.

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