Ucrânia pertence à Rússia e o Ocidente “criou uma guerra civil”: Putin, como há muito não se via

14 dez 2023, 12:29

Presidente russo fez um balanço da "operação militar especial" na Ucrânia e revelou que há 617.000 soldados russos nas zonas de combate

A culpa da guerra na Ucrânia é do Ocidente, “ucranianos e russos são o mesmo povo“, estamos a assistir a uma “guerra civil” na Ucrânia e o "apoio internacional está a chegar ao fim", estas foram as principais ideias transmitidas por Vladimir Putin na primeira conferência de imprensa com a presença de jornalistas estrangeiros desde dia 24 de fevereiro de 2022, quando o Kremlin deu início ao que denominou como “operação militar especial” na Ucrânia.

O presidente russo diz que Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido orquestraram a guerra da Ucrânia e que tudo começou em 2014, aquando da anexação da península da Crimeia pela Rússia. "Eles tiveram de criar um conflito. Quem? Os norte-americanos e os europeus. Quando a Crimeia caiu ficou claro que eles não nos iam deixar estabelecer relações fortes com a Ucrânia”, explicou Putin.

Para o presidente russo, os ucranianos são russos, os territórios ucranianos são russos, a Crimeia é parte da Rússia, tal como Zaporizhzhia. Vladimir Putin culpa o Ocidente por ter “estragado as relações” com Moscovo graças a um “conjunto de disparates históricos", realçando: “Foram eles [o Ocidente] que estragaram as relações, foram eles que sempre nos tentaram empurrar para os bastidores”, disse o líder do Kremlin.

Putin defendeu também que foram “eles” - o Ocidente - que estiveram por detrás da queda do governo da Ucrânia, em 2014, e, posteriormente, o substituíram pelo governo de Volodymyr Zelensky, que o Kremlin classifica como pró-ocidental.

“Sempre dissemos que russos e ucranianos são um só povo e o que estamos a assistir é uma espécie de guerra civil. Historicamente, a aqueles são territórios russos. A Crimeia é russa e toda a gente sabe isso. Eles é que começaram a dizer um conjunto de disparates históricos", referiu.

No leque de malfeitores ocidentais, há apenas uma exceção para o presidente russo: Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro que, minutos antes do início da conferência de imprensa de Putin, expressou-se veementemente contra a adesão da Ucrânia à União Europeia, à entrada para o Parlamento Europeu.

"Há algumas exceções como Viktor Orbán na Hungria. Não são políticos pró-russos, são políticos pró-nacionalistas, mas já não há muitos políticos assim", elogiou Putin.

Ocidente entregou "tudo o que prometeu", mas foi "tudo destruído" e o apoio "está a chegar ao fim"

O líder do Kremlin garantiu que não haverá uma nova mobilização militar na Rússia e revelou que, neste momento, há 617.000 soldados russos nas zonas de combate na Ucrânia. Vladimir Putin assegurou ainda que a Rússia não está disposta a alterar os seus objetivos na guerra da Ucrânia e que só "haverá paz" quando esses mesmos objetivos  forem atingidos.

O presidente russo reconheceu o esforço ocidental em apoiar a Ucrânia, afirmando que Kiev recebeu tudo o que pediu e que o Ocidente entregou tudo o que prometeu, mas que nem assim foi possível travar a armada moscovita.

“Tudo o que o Ocidente prometeu foi entregue, mas foi tudo destruído”, referiu o líder do Kremlin.

O presidente da Rússia acredita que as reservas económicas e de armamento ocidentais que têm sido doadas ao esforço bélico ucraniano “estão e vão chegar ao fim”. Tomando isso como um facto certo, Putin disse que agora há somente duas hipóteses para o fim do conflito no leste da Europa: “Ou chegamos a acordo ou vamos resolver o problema através da força.”

Vladimir Putin garantiu que a tropas russas estão a melhorar o seu posicionamento em quase toda a frente de batalha na Ucrânia e que as forças de elite da Ucrânia sofreram baixas na margem este do rio Dnipro, ironizando as mortes dos soldados ucranianos.

“Penso que é estúpido e irresponsável da parte dos líderes políticos. É uma tragédia, acredito eu, para eles [ucranianos]”, ironizou Vladimir Putin.

Questionado por um jornalista turco sobre o conflito entre Israel e o Hamas e a crise humanitária no território palestiniano, Putin realçou que a Turquia poderá vir a ter um papel de grande importância para o fim do que classifica como uma “tragédia”. Ainda assim, o líder do Kremlin optou por comparar a ofensiva israelita na Faixa de Gaza com a “operação especial militar”, assegurando que “nada comparável está a acontecer na Ucrânia”.

“Nada como Gaza está a acontecer na Ucrânia”, observou Vladimir Putin.

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