Reputada namorada de Putin e mais oligarcas alvo de novas sanções dos EUA

CNN , Jennifer Hansler
2 ago, 21:46
Alina Kabaeva e Vladimir Putin (SERGEI CHIRIKOV/AFP via Getty Images)

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) sancionou esta terça-feira a reputada namorada do Presidente russo, Vladimir Putin, como parte de uma série de medidas destinadas às elites russas, naquela que é a última tentativa da administração Biden de punir o Kremlin pela sua guerra na Ucrânia.

Alina Maratovna Kabaeva, que tem estado romanticamente ligada ao líder russo, foi sancionada "por ser ou ter sido líder, oficial, executiva sénior ou membro do conselho de administração do governo da Federação Russa", afirma uma declaração do Departamento do Tesouro.

Essa declaração descreve Kabaeva, de 39 anos, como tendo "uma relação próxima com Putin". Ela é um antigo membro da Duma [o Parlamento russo] do Estado "e é a atual chefe do National Media Group, um império pró-Kremlin de organizações de televisão, rádio e imprensa escrita".

Em abril, o Wall Street Journal relatou que estavam a ser consideradas pelos EUA sanções a Kabaeva, mas havia a preocupação de que tal movimento iria inflamar tensões, dada a sua proximidade com Putin.

Kabaeva foi anteriormente sancionada pela União Europeia e pelo Reino Unido.

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Além de Kabaeva, o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra uma série de outros oligarcas, uma grande empresa produtora de aço e duas das suas filiais, bem como uma instituição financeira acusada de gerir uma operação de evasão e o seu diretor-geral.

Separadamente, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, anunciou sanções contra três oligarcas, uma empresa estatal russa supervisionada pelo Ministério dos Transportes, "quatro indivíduos e uma entidade a operar ilegitimamente no território da Ucrânia em colaboração com a Rússia", e 24 entidades russas relacionadas com a defesa e a tecnologia.

Os EUA estão também a impor restrições de vistos a 893 funcionários da Federação Russa e "31 funcionários governamentais estrangeiros que agiram para apoiar a suposta anexação da região da Crimea da Ucrânia, ameaçando ou violando assim a soberania da Ucrânia", disse Blinken.

Muitas das designações anunciadas pelos oligarcas alvo dos EUA foram anteriormente sancionadas por aliados como o Reino Unido, Austrália, Canadá e a União Europeia. Elas surgem quando a guerra na Ucrânia entra no seu sexto mês.

"Estilos de vida opulentos"

"À medida que pessoas inocentes sofrem com a guerra ilegal de agressão da Rússia, os aliados de Putin enriqueceram-se e financiaram estilos de vida opulentos", disse a secretária do Tesouro, Janet Yellen, num comunicado. "O Departamento do Tesouro utilizará todos os instrumentos à nossa disposição para garantir que as elites russas e os capacitadores do Kremlin sejam responsabilizados pela sua cumplicidade numa guerra que custou inúmeras vidas".

Os oligarcas sancionados pelo Departamento de Estado são Andrey Igorevich Melnichenko, Alexander Anatolevich Ponomarenko, e Dmitry Aleksandrovich Pumpyanskiy. O iate AXIOMA foi identificado como propriedade bloqueada, na qual Pumpyanskiy tem interesses, disse o Departamento de Estado numa ficha informativa.

De acordo com essa ficha, Ponomarenko "é um oligarca com laços estreitos com outros oligarcas e a construção do palácio à beira-mar de Vladimir Putin", que foi anteriormente sancionado pelo Reino Unido, UE, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Entre os oligarcas sancionados pelo Departamento do Tesouro na terça-feira está Andrey Grigoryevich Guryev, o bilionário russo fundador da empresa química "PhosAgro" e antigo funcionário do governo descrito pelo Tesouro como "um conhecido associado próximo" de Putin. É também sancionado pelo Reino Unido, e de acordo com o Tesouro dos EUA, "é proprietário da propriedade Witanhurst, que é a segunda maior propriedade em Londres, depois do Palácio de Buckingham".

O Departamento do Tesouro na terça-feira identificou o iate Alfa Nero, alegadamente propriedade de AG Guryev, como propriedade bloqueada.

O filho de AG Guryev, Andrey Andreevich Guryev, também foi sancionado pelos EUA na terça-feira, após ter sido anteriormente sancionado pela Austrália, Canadá, União Europeia, Suíça e Reino Unido, tal como a sua empresa de investimento Dzhi AI Invest OOO.

Natalya Valeryevna Popova foi sancionada "por operar ou ter operado no sector tecnológico da economia da Federação Russa, e por ser ou ter sido líder, oficial, directora executiva sénior, ou membro do conselho de administração da LLC VEB Ventures", uma entidade sancionada. Foi também sancionada por ser mulher de Kirill Aleksandrovich Dmitriev, o CEO do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF). Tanto ele como o RDIF foram sancionados nos dias que se seguiram ao início da guerra.

A Joint Stock Company Promising Industrial and Infrastructure Technologies, "uma instituição financeira propriedade da Agência Federal Russa de Gestão de Propriedade Estatal", e o seu Director-Geral, Anton Sergeevich Urusov, foram sancionados na terça-feira em relação a alegadas evasões de sanções. Segundo o Departamento do Tesouro, "a JSC PPIT tentou facilitar a evasão das sanções impostas ao Fundo Russo de Investimento Directo (RDIF)".

O Departamento do Tesouro sancionou o Publichnoe Aktsionernoe Obschestvo Magnitogorskiy Metallurgicheskiy Kombinat (MMK), descrito como "um dos maiores produtores de aço do mundo", o presidente do seu conselho de administração, Viktor Filippovich Rashnikov - que também foi sancionado pela Austrália, Canadá, UE, Suíça e Reino Unido -, e duas das subsidiárias da MMK.

"A MMK é um dos maiores contribuintes da Rússia, fornecendo uma fonte substancial de receitas ao Governo da Federação Russa", disse o Departamento do Tesouro. A agência autorizou um período de liquidação para transações com a MMK e uma das suas subsidiárias.

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