O prisioneiro Yevgeny Nuzhin foi morto com pancadas de marreta (e os responsáveis, que são próximos de Putin, filmaram tudo)

14 nov, 13:36
Yevgeny Nuzhin foi assassinado com uma marreta pelo Grupo Wagner (Twitter)

Em causa está uma "tradicional punição wagneriana"

Yevgeny Nuzhin foi morto com pancadas de marreta na cabeça, tendo sido tudo filmado e partilhado numa conta de Telegram que está associada ao Grupo Wagner, um braço paramilitar com fortes ligações ao Kremlin.

A execução foi o resultado de um comportamento que aquele grupo diz ser inaceitável. É que Yevgeny Nuzhin, um recluso que tinha sido recrutado para combater a favor da Rússia na Ucrânia, decidiu trocar de lado e passar a combater ao lado das forças de Kiev.

O próprio admitiu ter trocado de lado, em setembro, para “lutar contra os russos”. Algo que o Grupo Wagner, na figura do seu fundador, Yevgeny Prigozhin, que é muito próximo de Vladimir Putin, classificou como uma traição, confirmando assim o conteúdo de um vídeo que está a ser amplamente divulgado.

Nessa mesma filmagem, Yevgeny Nuzhin, de 55 anos, conta que foi raptado a 11 de outubro em Kiev: “levei uma bancada na cabeça, perdi a consciência e acabei nesta adega”, diz, durante um vídeo em que tem a cabeça atada a um bloco de cimento. Não é certo como acabou nas mãos do Grupo Wagner, mas a imprensa ucraniana avança a hipótese de ter sido durante uma troca de prisioneiros entre ambas as partes.

“Disseram-me que ia ser julgado”, diz ainda.

Seguiu-se a execução, levada a cabo por um homem não identificado e que está fardado com roupa de combate. Na câmara aparece por detrás do prisioneiro, acertando-lhe com a marreta na parte de lado da cabeça. A vítima cai com estrondo, mas volta a ser agredida com o objeto na cabeça e no pescoço antes de o vídeo terminar.

"Aqueles que percebem sabem que uma marreta e traidores têm uma relação próxima", refere a conta de Telegram que partilhou o vídeo.

O vídeo foi publicado pela conta Grey Zone, uma das muitas que têm conotações com o Grupo Wagner. A acompanhar tinha a legenda “martelo da vingança” e uma descrição em que se acusa Yevgeny Nuzhin de se ter rendido voluntariamente aos ucranianos a 4 de setembro, dizendo ainda que o homem divulgou várias informações sobre as operações russas.

Questionado sobre as imagens, Yevgeny Prigozhin, confirmou, através do seu porta-voz, o cenário do vídeo: “um cão merece uma morte de cão”, disse, citado pela agência Reuters.

“Nuzhin traiu o seu povo, traiu os seus camaradas, traiu a sua consciência. Nuzhin era um traidor”, acrescentou o responsável, uma das muitas personalidades que estão sob alçada de sanções do Ocidente, nomeadamente de Estados Unidos e União Europeia.

O caso está a ser aproveitado pelo Grupo Wagner como uma forma de passar uma mensagem: os “traidores” vão ser punidos. E esses traidores, segundo Yevgeny Prigozhin, não se limitam àqueles que combatem no terreno, mas também aos que “estão escondidos nos seus escritórios sem pensar no seu povo”.

“Alguns deles utilizaram os seus próprios jatos para voarem para países que pareciam neutrais. Fogem para não participarem nos problemas diários. Também são traidores”, terminou o fundador do Grupo Wagner.

Yevgeny Nuzhin foi um dos muitos prisioneiros recrutados pelo Grupo Wagner para combater na Ucrânia, tendo-se alistado ao lado dos mercenários na condição de receber um perdão da pena de 24 anos a que tinha sido condenado por, em 1999, ter matado um homem. A essa pena viu serem somados outros quatro anos, por tentativa de fuga da prisão.

Acabou por ingressar no Grupo Wagner, recebendo treino militar em Lugansk, uma das zonas ucranianas ilegalmente anexadas pela Rússia, em agosto e setembro. Segundo contou numa entrevista à imprensa ucraniana, o objetivo principal sempre foi passar para o lado de Kiev assim que conseguisse, até porque tem família no país, nomeadamente em Lviv, onde está a irmã.

"Liquidado", como se pode ler na legenda do vídeo, Yevgeny Nuzhin "recebeu a tradicional punição wagneriana".

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