Quem é Yevgeny Prigozhin, o "chef" de Putin que admitiu ter fundado o grupo mercenário Wagner

26 set, 11:05
Yevgeny Prigozhin fotografado em 2016 (Foto: Mikhail Svetlov/Getty Images)

De empresário da restauração a fundador do exército privado de Vladimir Putin: eis tudo o que se sabe sobre o oligarca russo que fundou o grupo mercenário Wagner

Yevgeny Prigozhin já tinha negado por diversas vezes qualquer ligação ao grupo Wagner, mas esta segunda-feira finalmente assumiu pela primeira-vez (e de forma explícita) ter sido o responsável pela criação do grupo mercenário russo.

Segundo relata a agência Reuters, Prigozhin admitiu que fundou o grupo para enviar combatentes para a região do Donbass, na Ucrânia, em 2014: “A partir daquele momento, no 1º de maio de 2014, nasceu um grupo de patriotas, que mais tarde adquiriu o nome BTG Wagner”, pode ler-se no comunicado da sua empresa.

Mas o empresário não é um desconhecido do público. Aliás, Yevgeny Prigozhin, de 61 anos, é um oligarca próximo do presidente russo, sendo mesmo apelidado como o "chef de Putin" - uma alcunha que virá do facto de ter feito fortuna em negócios de catering na década de 90.

Prigozhin terá conhecido Vladimir Putin em 2001 no seu restaurante de luxo em São Petersburgo, o New Island, e em pouco tempo passou a fazer parte do círculo próximo do líder russo. Desde então, os seus restaurantes e serviços de catering são frequentemente utilizados pelo presidente russo quando recebe dignitários estrangeiros.

De empresário da restauração a fundador do exército privado de Putin

Recorde-se que Yevgeny Prigozhin é um dos alvos de sanções impostas a oligarcas russos na sequência da invasão da Ucrânia. E, apesar de Prigozhin admitir a criação da organização em 2014, acredita-se que a origem do Grupo Wagner remonta a 2007 e terá também a mão de um ex-oficial do exército russo, Dmitriy Valeryevich Utkin. 

É por volta dessa altura que surgiram também relatos de soldados ucranianos que se cruzaram com homens fardados, mas sem símbolos e que falavam russo. Mais tarde surgem novamente na Síria. Mas a sua ação estende-se por diversos continentes. O grupo é suspeito de realizar o "trabalho sujo" do Kremlin em vários teatros de operações e é por isso que muitos tratam a organização mercenária como um exército privado de Vladimir Putin.

Mesmo antes da invasão da Ucrânia, já haveria registo de muitos mercenários retirados de África, para rumarem a um novo destino. Segundo o jornal de The Times, a nova missão era "decapitar o governo de Zelensky em troca de um bónus financeiro".

E já em dezembro de 2021 o Conselho Europeu impôs medidas restritivas contra o grupo e a descrição feita do mesmo é reveladora: "O Grupo Wagner recrutou, formou e enviou operacionais militares privados para zonas de conflito em todo o mundo, a fim de alimentar a violência, saquear recursos naturais e intimidar civis em violação do direito internacional, incluindo o direito internacional dos direitos humanos".

"As pessoas incluídas na lista da UE estão envolvidas em graves violações dos direitos humanos, nomeadamente tortura e execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, ou em atividades desestabilizadoras em alguns dos países em que operam, como a Líbia, a Síria, a Ucrânia (Donbass) e a República Centro-Africana. O grupo está também a estender a sua influência nefasta a outros locais, a saber, à região do Sael. Por estes motivos, o grupo constitui uma ameaça para as populações dos países onde estão presentes, para toda a região e para a União Europeia", lê-se no comunicado divulgado na altura.

As suspeitas de interferência na eleição de Trump

Prigozhin também é suspeito de envolvimento em operações de desinformação através das redes sociais, incluindo para favorecer a eleição de Donald Trump nas presidenciais de 2016.

Por essa razão, figura na lista de pessoas procuradas pelo FBI, a agência federal de investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

"Prigozhin foi o principal financiador da Agência de Investigação na Internet (IRA) com sede em São Petersburgo. Ele supostamente supervisionou e aprovou as suas operações de interferência política e eleitoral nos Estados Unidos", lê-se na página do FBI na internet.

As ações atribuídas a Prigozhin "foram alegadamente tomadas para atingir um número significativo de americanos com o objetivo de interferir com o sistema político dos Estados Unidos, incluindo as eleições presidenciais de 2016", acrescenta.

O FBI oferece uma recompensa de 250.000 dólares (mais de 258.000 euros, ao câmbio atual) por informações que levem à detenção de Prigozhin.

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