Erdogan quer Ucrânia na NATO (e promete ajudar à reconstrução do país)

7 jul 2023, 22:53
Volodymyr Zelensky e Recep Tayyip Erdogan (Francisco Seco/AP)

Palavras fortes do presidente turco, que recebeu Zelensky em Istambul

O presidente da Turquia teve afirmações fortes na noite desta sexta-feira. Recep Tayyip Erdogan falou sobre o acordo de exportação de cereais a partir do Mar Negro, mas foi outra afirmação que saltou à vista. É que o chefe de Estado turco disse que a Ucrânia merece tornar-se membro da Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO, na sigla original).

À margem de um encontro com o homólogo ucraniano Volodymyr Zelensky, Erdogan garantiu que a Turquia pretende participar no esforço para reconstruir a Ucrânia quando a guerra acabar.

"Não existem dúvidas de que a Ucrânia merece aderir à NATO. Queria enfatizar mais uma vez um ponto que sempre defendi: não existe um perdedor numa paz justa. Apesar das diferenças entre ambas as partes, é o nosso desejo mais sincero regressar à busca pela paz o mais cedo possível", o presidente turco.

“Temos sido o país que mais esforços tem feito para acabar a guerra por negociações baseadas na lei internacional”, sublinhou, antes de dirigir palavras ao "amigo" Zelensky: "Apesar do que aconteceu, a amizade entre a Turquia e a Ucrânia cresceu mais forte em todos os aspetos. Na guerra, que já tem 500 dias, o povo ucraniano está a defender a sua integridade territorial e a independência do seu país".

Erdogan espera que esses esforços tenham resultados já no próximo dia 17 de julho, quando termina o atual acordo de exportação de cereais a partir dos portos ucranianos. O presidente turco confessou que “espera” que se possa chegar a um acordo neste tema, estando a tentar perceber até quando se pode estender o tratado em vigor.

Na reunião foi também discutida a atual situação de 12 navios turcos que continuam à espera de ordem para zarpar de portos ucranianos com cereais.

O presidente turco quis depois enfatizar que defende a integridade territorial da Ucrânia, reiterando que isso significa a recuperação de todo o território, incluindo a Crimeia. "Desde a anexação da Crimeia, em violação com a lei internacional, que expressamos o nosso apoio à integridade territorial, à soberania e à independência da Ucrânia", acrescentou, garantindo que fará de tudo para dar assistência política, económica, humanitária e técnica.

Parte desses esforços para o fim da guerra também poderão ocorrer já no próximo mês. É que Erdogan anunciou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é esperado na Turquia em agosto. Veremos em que moldes, uma vez que as declarações do presidente turco são as mais fortes até aqui, demonstrando um claro e inequívoco apoio a um dos lados da guerra.

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