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Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Nuclear

Nuclear no Cancro da Próstata? Sim, Obrigada!

17 nov, 09:00

Admirável … admirável é a palavra que melhor descreve a Radioatividade. Trata-se de um fenómeno natural e espontâneo que liberta, em forma de Radiação, parte da energia acumulada nos minúsculos, mas supercompactos, núcleos dos átomos. Esta energia, capaz de produzir os danos catastróficos que mancham com morte e vergonha a história da humanidade, pode também ser um importante e poderoso aliado no combate à doença e na preservação da vida, assumindo particular relevância no Cancro da Próstata!

O movimento Novembro Azul alerta para Cancro da Próstata que é, entre nós, o cancro mais frequente no homem. São quase 7000 os portugueses que, todos os anos, se vêm confrontados com o diagnóstico de uma doença que se caracteriza por uma evolução lenta e pelo aparecimento tardio dos sintomas. Por isso, nunca são de mais as campanhas que despertam para a importância do diagnóstico precoce, reconhecidamente associado a uma significativa taxa de cura. Mesmo quando a doença avançada priva o doente da tão desejada cura, a medicina atual oferece a possibilidade de um efetivo controlo da doença, podendo mesmo travar a sua progressão. É neste cenário, de doença de maior risco ou já avançada, que a Medicina Nuclear tem utilidade, quer através das suas técnicas de imagem quer das soluções para terapêutica.

A Medicina Nuclear é uma área da medicina que chamou para o seu nome a vigorosa radiação que nasce do Núcleo atómico quando este se torna instável (radioativo). Ajuda combater a doença e o sofrimento por ela provocado, através da utilização de pequenas quantidades de elementos radioativos produzidos por processos artificiais que podem emitir três tipos de Radiação, batizadas há mais de 100 anos com as três primeiras letras do Alfabeto Grego: Alfa, Beta e Gama. Com frequência, estes elementos integram moléculas (formando o Radiofármaco), habilmente sintetizadas para atingir um alvo específico, também ele molecular, que é naturalmente expresso em determinadas células tumorais ou no microambiente que as rodeias. Alguns tumores malignos, de que é exemplo o Cancro da Próstata, são particularmente ricos em potenciais alvos para os radiofármacos, sendo esta característica biológica parte da explicação para o enorme sucesso da Medicina Nuclear neste tumor.

Apesar do papel que a Medicina Nuclear sempre teve no combate ao Carcinoma da Próstata Avançado, nunca como agora esse papel foi tão reconhecido. Também nunca como agora, foram tão altas as expectativas nas soluções revolucionárias e singulares, que juntam imagem diagnóstica e tratamento, formando uma “nova” palavra – Teranóstica - num alinhamento perfeito com a tão ambicionada Medicina Personalizada. Por tudo isto, neste Novembro Azul, é tentador reescrever o famoso slogan dos ativistas das décadas 70 e 80 do século passado contra a energia nuclear, exprimindo um convicto: Nuclear no Cancro da Próstata? Sim, Obrigada!

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