Trabalho: isto é o que se pede a um líder em 2023

ECO - Parceiro CNN Portugal , Joana Nabais Ferreira
21 jan, 23:00
Empresa têxtil

Entre os líderes, são os de faixas etárias mais jovens e responsáveis por empresas de pequena e média dimensão que mostram maior preocupação com as práticas de liderança mais humanistas

A liderança centrada no indivíduo é a principal prioridade que os líderes apontam para este ano. São, contudo, os líderes mais jovens e em empresas de pequena e média dimensão (50,1%) quem dá mais importância ao investimento em práticas de liderança mais humanistas, quando comparado com líderes em grandes organizações (34,4%). Uma liderança que promove a liberdade de escolha entre as pessoas e que é resiliente, ágil e flexível são ainda características destacadas entre as tendências de liderança para 2023, conclui o estudo “Boyden Leadership Trends”, divulgado esta quinta-feira.

“Parece haver uma consciência cada vez mais clara dos líderes de que a vocação das suas empresas é, também, a de valorizar as suas pessoas. A capacidade de o fazerem terá um impacto muito positivo no desenvolvimento mais sustentável das suas organizações”, comenta João Guedes Vaz, partner e global head of leadership consulting da Boyden.

Para alcançar esta meta, os líderes referem que será importante investir em processos mais personalizados de desenvolvimento, como pode ser o coaching e a mentoria; no desenvolvimento de uma liderança mais empática e autêntica; no reforço das relações interpessoais e redes de colaboração; e, ainda, na criação de um ambiente psicologicamente seguro dentro da organização.

Liderança que promove a liberdade de escolha

Ainda no pódio das prioridades para este ano, imediatamente a seguir à tendência “Human-Centered Leadership”, está a “Freedom-Centric Culture”, que pressupõe a aposta numa liderança que inspire e encoraje a implementação de formas de trabalho ajustadas aos diferentes estilos de vida e expectativas profissionais e que, consequentemente, contribuam para o sucesso de cada colaborador.

“O foco numa liderança humanista e que promova uma maior liberdade de escolha por parte dos colaboradores, foram muito valorizadas no nosso estudo. Durante a pandemia, líderes com maior capacidade de ajustar as suas formas de trabalho às necessidades específicas das suas equipas conseguiram uma valorização do seu papel e uma diferenciação positiva”, considera Katia Pina, head of global do Center of Excellence da Boyden, em comunicado.

“Curiosamente, a importância de uma cultura centrada na liberdade revela também uma tensão paradoxal com a expectativa de uma liderança humanista. Existe uma necessidade de pertença e conexão, mesmo em contextos de trabalho remoto e virtual. Esta ambiguidade pressiona a responsabilidade individual e traz mais complexidade à liderança.”

Quase 70% dos líderes inquiridos no estudo consideram que a estratégia mais eficaz para conseguir implementar e desenvolver uma cultura de liberdade de escolha passa por ter líderes que promovam uma cultura de responsabilidade individual e que invistam em ferramentas e processos que promovam a colaboração, a comunicação e o trabalho remoto.

Transformar dificuldades em oportunidades

Em terceiro lugar, os inquiridos apontam a tendência “Beyond Resillience”, ou seja, a capacidade de aproveitar os desafios para se diferenciar da concorrência, através de uma maior agilidade e capacidade de adaptação. Cerca de 70% dos líderes refere que é importante melhorar a comunicação e a colaboração, promover equipas autónomas e descentralizar as decisões (56,9%); criar um modelo organizacional e de gestão que promova agilidade (42,5%) e, ainda, promover uma cultura de tolerância ao erro (31,7%).

A maioria dos líderes acredita que as organizações já dispõem de ferramentas e práticas de liderança que apoiem a implementação destas medidas, sendo que neste caso, os líderes de regiões como a China e Singapura os mais otimistas. “Esta é uma das tendências mais relevantes, tendo em conta o contexto dos últimos anos e o mundo em que vivemos, em rápida transformação. A agilidade implica uma aprendizagem constante e capacidade de adaptação sob pressão, pelo que é uma competência essencial no contexto atual”, defende Katia Pina.

O relatório “Boyden Leadership Trends” foi conduzido durante o primeiro semestre de 2022, contando com 463 contributos de líderes em funções de CEO, conselhos de administração, talento e RH por todo o mundo, dos quais 42,7% da América do Norte, 30% da Europa e 17,1% da China e Singapura. Deste grupo, 56% homens, 42,9% mulheres e 1,1% que preferiu não se identificar. Em termos setoriais, as respostas recolhidas somam 16,2% do setor das telecomunicações, 14,9% de serviços profissionais e 12,7% dos setores da energia, recursos e indústria, e os restantes cerca de 56,2%, do setor do consumo, serviços financeiros, cuidados de saúde e ciências da vida, Governo e serviço públicos, educação, desporto, artes, cultura e entretenimento.

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