opinião
Diretor de Informação da TVI

A mais torta das direitas

25 nov, 07:33

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Sem saber bem como nem porquê, o país entrou numa crise política absolutamente desnecessária, para não dizer ridícula. E sendo qualquer crise inoportuna, esta, em particular, chega numa das piores fases. Mas sobre a defunta geringonça e as suas táticas mesquinhas e de pequena política teremos tempo para falar.

Olhemos, por um instante, para o centro-direita, que este fim de semana joga parte significativa do seu futuro. E não, não estou a falar do CDS, que decidiu fazer um haraquiri político. Nem do Chega, esse partido unipessoal que não é de direita nem de esquerda — antes pelo contrário —, é de quem o quiser apanhar. Ou de quem se deixar apanhar.

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Falemos do PSD, que vai a votos.

Depois de um espetáculo absolutamente deplorável, o partido lá decidiu que era preciso clarificar-se perante o eleitorado e os militantes sociais-democratas têm agora uma escolha a fazer: querem dar mais uma oportunidade a Rui Rio ou preferem fazer um all in em Paulo Rangel?

A decisão não tem nada de irrelevante. Mas também não é certo que alguma das escolhas resolva a bagunça em que se tornou o centro-direita.

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Quatro anos depois, Rui Rio apresenta um currículo com duas derrotas e três meias vitórias. Perdeu as europeias com 22% dos votos e as legislativas com 28%. Depois “ganhou” as presidenciais sentado no banco de trás de Marcelo Rebelo de Sousa. Nos Açores perdeu, mas acabou por “comprar” a vitória “vendendo” a alma política ao Chega. E, finalmente, conquistou o objetivo que tinha definido para as autárquicas: conseguir fazer melhor do que o pior resultado de sempre do PSD em 2015.

Para quem gritava aos quatro ventos que era um político muito mais popular fora do partido do que dentro, convenhamos que não é propriamente um histórico impressionante.

Mas os quatro anos de mandato de Rui Rio não se resumem apenas aos números. É da mais elementar justiça lembrar, por exemplo, que o presidente do PSD viveu permanentemente atormentado pelo fantasma do “passismo”, interpretado na perfeição pelos seus maiores saudosistas. Esse passado, que é também recente, terá mais culpados do que inocentes, mas, como dele não rezará a história, foquemos no essencial.

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Ignoremos, também, por um instante as incoerências — quem não as tem? — do político que sempre fez da coerência bandeira pessoal — na justiça, por exemplo —, ou as posições de duvidosa democraticidade sobre a comunicação social. Ignoremos tudo isso, por um momento, e centremo-nos no papel de líder da oposição que Rui Rio desempenhou nos últimos quatro anos.

O líder que queria resgatar o PS da esquerda e acabou humilhado nos acordos que fez com António Costa — e que de nada serviram no momento em que o primeiro-ministro lhe cuspiu na cara, preferindo a demissão a deixar que um orçamento fosse aprovado pelo PSD. Sobre a coerência — ou a falta dela — de António Costa também teremos ainda muito para falar. Suspeito.

Se é verdade que Rui Rio nunca conseguiu afirmar o PSD como uma alternativa viável ao Governo das esquerdas, não é menos verdade que, com Paulo Rangel, as dúvidas são, ao dia de hoje, maiores do que as certezas.

Rangel está a tentar fazer a síntese da oposição interna no PSD a Rui Rio. Se são claras as diferenças na forma de fazer política, as diferenças na capacidade de agregar um eleitorado disperso e perdido são duvidosas.

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Nos últimos quatro anos, o eleitorado típico do centro-direita foi-se fragmentando à velocidade da desilusão provocada pelo PSD. Alguns desses eleitores desistiram. Pura e simplesmente. Outros foram procurando refúgio em partidos que foram ocupando os espaços vazios. E outros ainda decidiram radicalizar-se, inspirados, provavelmente, no contexto internacional dos “salvadores” vendedores da banha da cobra.

Será Paulo Rangel a solução ou mais uma transição? Terá Rui Rio aprendido alguma coisa com os erros do passado ou ficará orgulhosamente só nas suas convicções alimentadas por teorias da conspiração vindas dos seus mais próximos?

Qualquer que seja o desfecho das diretas deste fim de semana, nenhuma destas perguntas terá resposta imediata. Mas há uma certeza inabalável: ou o PSD se apresenta ao eleitorado no próximo dia 30 de janeiro como uma verdadeira alternativa, ou será grande a probabilidade de o país entrar num pântano político ainda pior do que aquele que vivemos agora.

A democracia só funciona na sua plenitude quando vive de alternativas. Se essas alternativas desaparecerem, há sempre oportunistas à espreita. E este sábado, enquanto se vota no PSD, há oportunistas à espreita.

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