Como é que a indústria da moda está a reagir à guerra?

4 mar, 21:57
Indústria da moda reage à guerra

A tomada de posição da indústria da moda tardou, mas chegou. E a mobilização intensifica-se dia após dia, num dos mais importantes setores da economia mundial. À medida que a Rússia avança sobre a Ucrânia, as marcas de luxo e de fast fashion, têm vindo a público manifestar solidariedade com o povo ucraniano. Há boicotes à Rússia, encerramento de lojas e suspensão de vendas online, promessas de pagamentos aos trabalhadores mesmo com as lojas fechadas e doações para ajudar os refugiados.

Depois do constrangedor silêncio, as marcas de luxo estão a fazer donativos… aos milhões!

Todas as expectativas recaíam sobre a indústria de luxo que se manteve estranhamente em silêncio. Durante vários dias. Mas os principais grupos de luxo cederam à pressão dos consumidores e do mundo e os anúncios de doações têm estado a multiplicar-se.  

O grupo de luxo francês LVMH, proprietário de marcas como a Louis Vuitton, Dior, Loewe e Fendi vai doar 5 milhões de euros para apoiar o Comité Internacional da Cruz Vermelha e as vítimas diretas e indiretas da guerra. E é apenas uma primeira doação de emergência. A LVMH anunciou ainda uma recolha de fundos junto dos trabalhadores, para ampliar a dimensão da ajuda. Garante também, a prestação da ajuda financeira e logística necessária para assegurar a segurança dos 150 trabalhadores do grupo na Ucrânia. Uma ajuda decidida pelo presidente do grupo, Antoine Arnault, que é casado com a modelo russa Natalia Vodianona, embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas.

O outro gigante do luxo francês, o grupo Kering, que detém marcas como a Gucci, Alexander McQueen, Balenciaga, Bottega Veneta e Saint Laurent também anunciou uma doação significativa à Agência das Nações Unidas para os Refugiados. E pediu uma resolução pacífica do conflito. O CEO, François-Henri Pinault garante ainda que cada marca vai fazer donativos individuais a outras organizações. A Balenciaga, por exemplo, já fez um donativo para o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas. E a Gucci já doou 500 mil dólares (cerca de 450 mil euros) para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados.

Dois milhões de euros foi a quantia que a Chanel doou à ONG Care e à Agência das Nações Unidas para os Refugiados, através da sua fundação. A marca francesa explicou, através de um comunicado nas redes sociais, que vai também organizar uma recolha de fundos junto dos empregados para ajudar os refugiados, ao qual juntará mais dinheiro.

O desfile sem música, de Armani, e o apelo de Donatella Versace

Três dias depois do início da guerra, o estilista Giorgio Armani foi o primeiro mostrar a sua solidariedade com a Ucrânia. O habitual desfile na Semana de Moda de Milão decorreu em silêncio, num sinal de profundo respeito pela luta dos ucranianos e pela tragédia humanitária decorrente do conflito.

Na sua página do Instagram, a estilista Donatella Versace revelou que fez uma doação para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, para ajudar os milhares de ucranianos que tiverem de abandonar as suas casas. E incentivou os mais de 7 milhões de seguidores a contribuir com a quantia que pudessem.

Mango, H&M e Nike encerram lojas e operações na Rússia

A Mango já fechou, temporariamente, 55 lojas na Rússia. As restantes 65, que são franchisadas, vão continuar a operar e distribuir os produtos enquanto tiverem stock disponível uma vez que a marca não vai fazer reposições. As vendas online também foram suspensas. A empresa comunicou ainda a doação de 100 mil euros para o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que, nos últimos 8 anos, já prestava assistência às pessoas afetadas pelo conflito na região de Donbas. A marca espanhola diz-se ainda disponível para colaborar com diferentes organizações através da doação de roupas para fazer face à crise de refugiados. É apenas uma das muitas marcas fast fashion que se estão a unir à Ucrânia.

A H&M, a segunda maior retalhista do mundo, também já se juntou ao movimento. Suspendeu todas as vendas no mercado russo, o sexto maior da marca, incluindo as vendas online. A H&M tem mais de 150 lojas na Rússia, espaços que estão agora encerrados temporariamente, para assegurar a “segurança de clientes e colaboradores”. Em comunicado, a retalhista sueca diz-se preocupada com os desenvolvimentos trágicos na Ucrânia e ao lado de “todas as pessoas que estão a sofrer”.

E depois de ter inviabilizado as vendas online na Rússia, a Nike acabou mesmo por optar pelo encerramento das 116 lojas. O comunicado foi divulgado no site da marca, que garante que vai apoiar os trabalhadores, continuando a pagar-lhes o salário. A Fundação Nike vai ainda doar 1 milhão de dólares (cerca de 900 mil euros) à Unicef e ao Comité Internacional de Resgate para ajuda humanitária na Ucrânia.

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