Jerónimo de Sousa alerta para "profundo descontentamento" com aumentos salariais da função pública

Agência Lusa , JGR
30 nov 2021, 15:24
Jerónimo de Sousa - PCP
Jerónimo de Sousa - PCP

O líder comunista criticou ainda o PS por "votar com a direita", enquanto apregoava ser um partido de esquerda

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O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou esta terça-feira que o sentimento dos trabalhadores da administração pública em relação ao aumento dos salários “é de um profundo descontentamento”, uma vez que são insuficientes.

Sobre como é que via os aumentos anunciados para os trabalhadores da administração pública, o líder comunista respondeu que os funcionários do Estado “é que julgarão” se os aumentos são satisfatórios ou não.

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“Durante quase uma década, tirando uma situação excecional, não tiveram qualquer aumento, além da desvalorização das suas carreiras e profissões. Enfim, arrisco-me a dizer que o sentimento da maioria é de um profundo descontentamento, tendo em conta o histórico em relação aos salários e às carreiras, e agora terem sido confrontados com um aumento desta natureza”, sustentou, no final de uma reunião com a secretária-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN), Isabel Camarinha, em Lisboa.

Jerónimo de Sousa foi questionado sobre o 'chumbo' do diploma do PCP que previa limitar os contratos a prazo e reverter o alargamento do período experimental por PS, PSD e CDS e se isso empurrava os socialistas para um futuro Governo de direita.

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Na resposta, o secretário-geral comunista disse que este foi apenas mais um exemplo, desde 2019, em que o PS votou com a direita, enquanto apregoava que era um partido alinhado à esquerda.

Governo confirma subida de 0,9% na função pública

A atualização salarial da função pública para 2022 deverá manter-se em 0,9%, como proposto pelo Governo, tendo em conta a variação média da inflação anual em outubro, publicada esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo a estimativa rápida do INE, a variação média anual em outubro da inflação foi de 1,02% e, retirando a habitação, foi de 0,99%.

Na última ronda negocial com os sindicatos, em 17 de novembro, a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, afirmou que para a atualização salarial dos funcionários públicos seria tida em conta a inflação anual verificada em 30 de novembro, descontada a deflação de 0,1% que se verificou em 2020.

Contas feitas, a atualização salarial será então de 0,9% como proposto inicialmente pelo Governo, que garantiu que nunca seria inferior a esse valor.

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"A principal e talvez a única preocupação sempre foi fazer com que os trabalhadores da Administração Pública não percam poder de compra", afirmou na altura Alexandra Leitão.

Segundo explicou a ministra, "se à data da aprovação do diploma [relativo à atualização salarial], que será posterior a 30 de novembro, a inflação média anual dos últimos 12 meses, calculada a 30 de novembro, for superior àquela que conduz à atualização dos 0,9% o Governo acompanhará esse aumento".

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