O que mudou em Marine Le Pen desde que perdeu as eleições presidenciais de 2017

CNN , Joshua Berlinger
15 abr, 22:00
A candidata presidencial francesa do partido de extrema-direita Rassemblement National (RN), Marine Le Pen, dirigindo-se aos seus apoiantes no domingo. Foto: Thomas Samson/AFP/Getty Images

A segunda ronda presidencial de França assistirá a Emmanuel Macron a enfrentar Marine Le Pen numa segunda eleição consecutiva, mas a concorrente que desafia o atual líder francês já não é a mesma candidata que perdeu por quase dois votos contra um em 2017

Le Pen, 53 anos, é atualmente membro da Assembleia Nacional francesa em representação de Calais, a cidade da costa perto do Reino Unido que tem lutado para lidar com a questão dos migrantes que pretendem chegar à Grã-Bretanha.

A candidata é bastante conhecida por ser um dos membros da primeira família da extrema-direita francesa. O seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundou a Frente Nacional em 1972, um partido político há muito visto como racista e antissemita. Quando a jovem Le Pen tomou as rédeas como líder do partido do pai, em 2011, tentou reformular a imagem da Frente Nacional tornando-a mais popular - chegando ao ponto de expulsar o seu pai do partido político por ele fundado, depois de este ter afirmado, por diversas vezes, que as câmaras de gás nazis tinham sido apenas um detalhe da história.

Le Pen partilha, no entanto, a opinião do seu pai sobre a imigração. Na sua campanha falhada contra Macron, tentou posicionar-se como um Donald Trump francês, afirmando representar as classes trabalhadoras francesas esquecidas que foram mais afetadas pela globalização e do progresso tecnológico.

No entanto, a sua posição económica nacionalista, as opiniões que defende sobre imigração, o euroceticismo e a sua posição sobre o Islão em França - deseja tornar ilegal o uso de hijab (lenço que cobre a cabeça), em público, pelas mulheres - revelaram-se pouco populares entre o eleitorado francês, uma vez que foi derrotada no seu primeiro debate contra Macron.

Embora "parar a imigração descontrolada" e "erradicar as ideologias islâmicas" continuem a ser as duas principais prioridades da sua campanha, Le Pen tem procurado alargar o seu leque de propostas.

Nas semanas que antecederam a primeira ronda das eleições, Le Pen fez uma forte campanha em torno de questões sobre encargos financeiros, começando frequentemente as entrevistas e intervenções nos meios de comunicação, a explicar aos eleitores como os ajudaria a lidar com a inflação e o aumento dos preços dos combustíveis, questões fulcrais para o povo francês.

A estratégia parece ter funcionado. Os resultados das sondagens foram bastante melhores para Le Pen na primeira ronda de 2022 do que foram há cinco anos, e as sondagens do Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP) sugeriram que uma segunda volta entre Macron e Le Pen poderia aproximar-se de uma diferença entre 53% a 47% a favor do atual presidente.

Contudo, algumas das outras posições políticas de Le Pen poderão voltar a assombrá-la nesta segunda ronda devido à guerra na Ucrânia. A candidata é admiradora assumida de Vladimir Putin há muito tempo, o líder russo que se tornou pária no Ocidente devido à decisão do Kremlin de atacar o seu país vizinho. Le Pen visitou o líder russo durante a sua campanha para presidente em 2017, mas desta vez, após a invasão, foi forçada a eliminar um folheto com uma fotografia sua e de Putin dessa viagem.

A sua aversão anterior à NATO - a bandeira de campanha de 2017 de Le Pen incluía retirar a França desta aliança - também poderia pôr em risco as eleições. As recentes sondagens do IFOP mostram que 67% do público francês não acredita que a França deva sair da NATO.

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