Petrolífera americana previu aquecimento global há 45 anos e não disse nada

12 jan, 19:48
Poluição

Autora de estudo aponta que a Exxon Mobil passou "décadas" a esconder a descoberta

Responsáveis da petrolífera Exxon Mobil previram com sucesso em 1977 o aquecimento global, revela um novo estudo publicado esta quinta-feira na revista Science. Um conjunto de investigadores da empresa norte-americana produziu uma série de documentos científicos entre aquele ano e 2003 em que dá conta disso mesmo, mas a administração decidiu não os revelar.

Os dados recolhidos pelos cientistas apontavam para um aumento da temperatura em 0,2 graus (com uma margem de erro de 0,04 graus para baixo ou para cima) a cada década. Números que não ficam longe dos indicados pelos principais investigadores, que estimam uma subida de 0,19 graus a cada década (com uma margem de 0,03 graus).

Esta não é a primeira vez que se fala desta possibilidade, uma vez que em 2015 vários meios de comunicação norte-americanos davam conta de que a empresa sabia há várias décadas do impacto causado pelos combustíveis fósseis nas alterações climáticas. Ainda assim, novos dados da revista Science comprovam com mais clareza esse cenário, analisando ao pormenor as projeções que foram sendo feitas.

"É a primeira avaliação quantitativa e sistemática das projeções climáticas da indústria dos combustíveis fósseis", refere Naomi Oreskes, professora em Harvard e uma das autoras do estudo, que acrescenta que "entre 1977 e 2003 os cientistas da Exxon modelaram e previram o aquecimento global com uma capacidade e precisão impressionantes". Só que, como nota a investigadora, "em público a empresa passou décadas a negar essa descoberta".

Aliás, os investigadores afirmam que esta não é a única empresa que tentou "desinformar ou ocultar" informações para minimizar a ameaça das alterações climáticas. 

"Temos provas de que todas as empresas de combustíveis fósseis estavam cientes da ameaça dos gases de efeito estufa produzidos pelo uso normal dos seus produtos desde os anos 1970 e até mesmo os anos 1960", afirma Naomi Oreskes, acrescenta: "Também temos provas de que outros sectores relacionados aos combustíveis fósseis - como os fabricantes de automóveis -  já estavam conscientes do problema desde a década de 1960. E sabemos que outras empresas financiaram investigações académicas sobre o assunto, em universidades importantes como a Columbia , em Nova Iorque, nas décadas de 1970 e 1980."

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