Posso fazer exercício depois de ter tido covid-19?

13 fev, 18:00
Fazer exercício físico

A resposta é sim. Mas é preciso ir com calma e, em alguns casos, até com muita calma

A prática de exercício físico é aliada na manutenção de um estilo de vida saudável e um fator importante no pós uma infeção por SARS-CoV-2, dizem os especialistas entrevistados pela CNN Portugal. Mas “é preciso ter cautela”, adverte Luís Cerca.

Para o professor auxiliar na Universidade Lusófona e especialista na área do bem-estar e exercício, quem esteve infetado pode fazer exercício físico se se sentir com capacidade para tal, mas o mais importante é mesmo movimentar o corpo, mesmo que isso não implique um treino elaborado. 

É altura para ser cauteloso, mas não para parar. O corpo humano foi feito para estar em movimento”, afirma Luís Cerca, que não exista em apontar motivos para as pessoas treinarem, até mesmo após a infeção: “os benefícios a nível psicológico, neurológico, cardiorrespiratório, musculoesquelético e sistema imunitário são imensos”.

Apesar dos múltiplos benefícios do exercício físico, o docente universitário defende que importa ter em consideração “em que estado a pessoa está” assim que volta a testar negativo, sobretudo se houve sintomatologia moderada a grave durante a infeção. Mas, segundo um estudo publicado na revista International Journal of Environmental Research and Public Health, o exercício é também uma mais-valia na rotina dos pacientes com síndrome pós covid (long covid). Diz a investigação, que um treino regulado, estruturado e personalizado é capaz de fazer frente às mazelas cardiorrespiratórias, pulmonares, musculoesqueléticas e até neurológicas.

Também Paula Pereira, médica internista do Hospital Lusíadas Porto, considera que a prática de exercício físico é “fundamental”, sobretudo para as pessoas que, à boleia da infeção e mesmo com sintomatologia ligeira, ficaram “mais asténicas, mais paradas”, uma vez que praticar exercício físico ajuda a aumentar os níveis de energia. Mas, tal como Luís Cerca, a especialista deixa claro que é importante fazer uma avaliação prévia junto de um médico, de modo a despistar eventuais consequências ainda desconhecidas ou silenciosas do vírus.

Tem de haver a prática de exercício físico, claro, mas depois é o médico assistente que vê o que é melhor para o doente, do tipo de exercício à frequência”, explica a médica internista.

Quando questionada sobre o pós infeção por parte de quem mantém alguma sintomatologia, a médica considera que, “regra geral, todos os que tenham sintomas pós covid devem fazer exercício físico”, alertando, mais uma vez, para a necessidade de uma avaliação médica e para a importância que os programas de reabilitação física e cardiorrespiratória podem ter nestes casos.

Com que intensidade se deve treinar?

Embora frise que cada caso é um caso e que a pessoa que recuperou da infeção deva procurar aconselhamento, Luís Cerca diz que a bitola está sempre na “intensidade moderada a baixa”, em exercícios que movimentem o corpo e que ajudem a retomar um estilo de vida ativo. E a American College of Sports Medicine recomenda que os primeiros treinos sejam de 15 minutos.

E quando fala em intensidade baixa a moderada, Luís Cerca refere-se a exercícios que permitam que a pessoa “sinta autonomia no movimento, não é nada que a pessoa fique ofegante”. “É quando a há percepção de esforço com conforto, no dia a seguir parece que nem treinou”, explica.

Nos casos de pessoas que desenvolveram doença grave após a infeção, Luís Cerca considera que “uma avaliação seria importante, porque o período de sintomas é muito diverso, pode ir de duas a 12 semanas”. Mas, independentemente do quão prolongados são os sintomas, em casos de doença grave “as intensidades têm de ser sempre baixas numa fase inicial”.

E deixa um aviso: “Uma atenção especial para as pessoas que treinam a nível de treinos de alta intensidade: só mesmo seis meses depois para quem teve doença complicada”.

Até mesmo para quem já era praticante de exercício físico, o regresso deve ser sempre mais atenuado do que a rotina de treino pré infeção. “A pessoa tem de ter calma, deixar o corpo adaptar-se”, diz, salientando que é muito importante a pessoa fazer uma “coisa estruturada”, um treino planeado, com repetições e intensidade definida, e que “a pessoa não deve voltar a treinar na intensidade que fazia, deve ser uma intensidade igual à de uma pessoa que não faz exercício há muito tempo ou nunca fez, isto é, uma intensidade baixa a moderada”.

Para perceber se está ou não na hora de retomar o exercício físico, a American College of Sports Medicine recomenda que a pessoa retome, em primeiro lugar, à rotina normal (trabalho/escola) e aos padrões de sono. Depois, diz o organismo, “os indivíduos devem garantir que são capazes de realizar facilmente as atividades da vida diária e caminhar 500 metros numa superfície plana sem sentir fadiga excessiva ou falta de ar”.

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