Agradecemos se puderem ajudar-nos a saber o paradeiro de Hal Robson-Kanu e Semih Senturk

22 jun, 02:43
Semih Senturk (AP Photo/Murad Sezer)

One-Euro Wonders: estes jogadores fizeram um grande Europeu e depois desapareceram

Milan Baros - Euro 2004

Foi no quente verão português que este avançado checo teve o grande momento da carreira. Milan Baros foi o melhor marcador do Euro 2004, com cinco golos, e faturou em todos os jogos que a Chéquia disputou, exceto na meia-final. O então jogador do Liverpool encantou-nos com a sua rapidez, excelente último toque e grande capacidade de drible em progressão, mas nunca voltou a atingir esse nível na sua carreira. Os adeptos dos Reds consideram que a sua melhor ação pelo clube foi ter-se desviado do remate do compatriota Vladimir Smicer que deu o empate ao Liverpool na muito recordada final da Champions de 2005. Durante o resto da sua carreira, que durou até 2020, só conseguiu marcar mais de dez golos na liga do país onde jogava por duas vezes, ambas no Galatasaray, onde apresentou o seu melhor nível pós-2004.

Hal Robson-Kanu - Euro 2016

Se me dissessem antes do Euro 2016 que o País de Gales iria chegar às meias-finais da prova, a primeira que disputavam desde 1958, eu provavelmente iria ignorar e pensar que estaria a falar com um extravagante. O que é certo é que isso acabou por acontecer com o contributo de Hal Robson-Kanu. Estava sem clube durante o Europeu após ser dispensado pelo Reading, fator que o certamente terá motivado. Robson-Kanu foi o atacante utilizado por Chris Coleman durante toda a competição e marcou logo na fase de grupos contra a Eslováquia. O melhor estaria para vir, no embate dos quartos de final contra a poderosa Bélgica. Ao 55.º minuto de jogo, dentro da área belga, reencarnou Johan Cruyff e enganou Marouane Fellaini, Thomas Meunier e Jason Denayer para marcar um golo que chegou até a ser nomeado para o Prémio Puskas. Depois desse Euro, ingressou no West Brom e voltou ao anonimato. Acabou a carreira em 2021.

Alan Dzagoev - Euro 2012

A Rússia pode não ter passado da fase de grupos do Euro 2012, mas isso não impediu que um dos seus jogadores brilhasse e fosse um dos seis melhores marcadores da prova. Franzino por natureza, Alan Dzagoev foi o homem do jogo na vitória russa frente à Chéquia por 4-1, tendo marcado dois dos golos russos. No jogo seguinte, frente à Polónia, faturou novamente, mas desta vez a Rússia apenas empatou 1-1. Esse Europeu valeu-lhe capas dos desportivos durante vários anos no continente europeu, principalmente em Inglaterra. Todos os verões Dzagoev estava prestes a ir para a Premier League. Tal acabou por não acontecer e o jogador permaneceu na Rússia, onde representou o CSKA de Moscovo durante 14 anos e o Rubin Kazan durante uma época, antes de se retirar no futebol grego. Apesar de continuar a ser presença regular na seleção russa após 2012, tendo disputado dois Mundiais, Dzagoev marcou apenas mais dois golos com a camisola do seu país após as mágicas prestações naquele Europeu.

Theodoros Zagorakis - Euro 2004

Já devo ter dado PTSD a alguns leitores só de escrever o nome dele. Zagorakis foi considerado o melhor jogador do Euro 2004, o melhor jogador da final da competição e foi 5.º na votação da Bola de Ouro desse ano em que decidiu tornar-se um dos melhores do mundo. Até àquele verão em Portugal, o médio grego era praticamente desconhecido e tinha apenas dois troféus na vitrine: uma Taça da Liga inglesa pelo Leicester City, em 2000, e uma Taça da Grécia pelo AEK de Atenas, em 2002. O Euro 2004 aconteceu já no final da sua carreira, aos 33 anos. Após a competição, esteve no Bolonha durante uma época, antes de regressar ao PAOK, onde se retirou silenciosamente do desporto em 2007.

Dimitri Payet - Euro 2016

É talvez o nome mais polémico desta lista, não só pelo que fez a Cristiano Ronaldo durante a final do Euro 2016, como pela carreira que fez a seguir, que alguém com certeza achará que foi brilhante. Mesmo tendo sido uma das referências do Marselha nos anos que se seguiram ao Euro 2016, Payet nunca conseguiu replicar as performances dessa competição. No jogo inaugural, contra a Roménia, assistiu Olivier Giroud e marcou um grande golo que selou a vitória gaulesa. Seguiu-se um jogo contra a Albânia, no qual faturou na compensação e foi considerado o homem do jogo. O resto do Europeu não foi tão bom, mas ainda marcou mais um golo na competição, contra a Islândia. Nunca mais disputou uma competição pela seleção francesa, embora fosse um dos potenciais selecionáveis para o Mundial de 2018. Atualmente joga pelo Vasco da Gama, equipa que luta para não descer do Brasileirão.

Semih Senturk - Euro 2008

Antes de falar deste avançado, uma nota pessoal: adoro a forma como a Turquia se apresenta nas competições internacionais. Ou fazem uma prova lendária e são dos melhores do Mundo – veja-se o Mundial de 2002 e o Euro 2008 – ou é um absoluto desastre e nada se aproveita – caso do Euro 2016 e do Euro 2020. É a teoria do caos aplicada a uma equipa de futebol. Semih Senturk entra numa dessas campanhas lendárias. Vinha de uma época prolífica no Fenerbahçe, com 19 golos em todas as competições, e chegou ao Euro 2008 como uma das referências da equipa turca. Na fase de grupos, frente à Suíça, marcou um dos golos da reviravolta que manteve a equipa na competição após uma derrota com Portugal no primeiro jogo. Nos quartos, conseguiu empurrar o jogo para as grandes penalidades na compensação do prolongamento. No desempate por penáltis, a Turquia superou a Croácia e marcou encontro com a Alemanha nas meias-finais. A dura batalha foi vencida pelos germânicos por 3-2 mas não sem os turcos ameaçarem uma passagem à final. Senturk marcou aos 86 minutos da partida num excelente movimento de antecipação a Jens Lehmann e parecia ter encaminhado o encontro para prolongamento, antes de Lahm marcar o golo da vitória alemã em cima do apito final. Senturk entrou pelas nossas casas adentro nessa altura, mas nunca mais o vimos atingir altos voos. Terminou a carreira na seleção em 2011 com apenas oito golos, quase metade deles no Euro 2008.

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