Embaixada da Rússia acusa ucranianos de incitarem secretas portuguesas a fazer contraespionagem para “vigiar russos em Portugal”

2 mai, 19:24
Ucranianos manifestam-se em Lisboa (Lusa/Manuel de Almeida)

Numa reação à notícia da CNN Portugal sobre a alegada teia de ligações de associações que acolhem refugiados ucranianos em Portugal ao Kremlin, a embaixada da Rússia acusa a embaixadora da Ucrânia de participar em manifestações onde são demonstrados "slogans ofensivos" e bandeiras de "organizações extremistas"

A Embaixada da Rússia em Portugal acusa a associação de ucranianos liderada por Pavlo Sadhoka de querer instigar os serviços secretos portugueses a fazer contraespionagem para “vigiar bem os russos que têm residência em Portugal”. E critica a embaixadora ucraniana em Portugal, Inna Ohnivets, por ter alegadas motivações políticas por detrás das denúncias que fez sobre ligações ao regime de Putin por parte de associações que acolhem refugiados de guerra em Portugal.

A reação dos diplomatas russos foi divulgada num comunicado publicado no site da própria embaixada e surge depois de a CNN Portugal ter dado conta do conteúdo de uma carta enviada por Pavlo Sadhoka, líder da Associação dos Ucranianos em Portugal, aos serviços secretos portugueses. Neste documento, Sadhoka descreve toda uma alegada teia de ligações ao Kremlin de associações que operam em Portugal no acolhimento de refugiados que fogem da guerra. O caso de Setúbal, que apenas se tornou mais mediático, é apenas um deles.

Este é mais um desenvolvimento na controvérsia que já motivou a abertura de um inquérito da Inspeção Geral das Finanças.  

“Parece muito estranho o apelo dirigido ao SIRP pelo líder da Associação dos Ucranianos em Portugal (AUP), Pavlo Sadokha, que funciona em estreita coordenação com a Embaixada da Ucrânia”, dizem os representantes do Estado russo, sublinhando que, na carta, o líder associativo ucraniano "recomenda aos especialistas na esfera de segurança, informações e contraespionagem de vigiar bem os russos que têm residência em Portugal” e as “associações dirigidas por eles”.

E a embaixada de Mikhail Kamynin sublinha que muitos destes russos, que a carta refere, já “obtiveram a nacionalidade portuguesa”.

Politização

O embaixador russo acusa ainda a embaixadora ucraniana de participar em manifestações onde são demonstrados "slogans ofensivos" e bandeiras de "organizações extremistas", lê-se no comunicado.

Já quanto à ligação destas associações a instituições sob tutela do Kremlin, a embaixada russa não nega que os líderes das ONG tenham estado envolvidos com a fundação “Russkiy Mir”, tal como não nega que tenham participado em conferências anuais de compatriotas em Moscovo, conforme a CNN Portugal noticiou há duas semanas.

A embaixada refere, no entanto, que a fundação, criada por Vladimir Putin em 2007, visa “promover a língua russa que faz parte do património do nosso país e elemento importante da cultura mundial” e estabelece contactos “com círculos académicos com núcleo de estudo do mundo russo no estrangeiro”. “Desta forma, as atividades da fundação “Russkiy Mir” são muito semelhantes às do Instituto Camões que promove a língua e cultura portuguesa fora de Portugal”, desdramatiza a embaixada.

No entanto, a Fundação Russkiy Mir tem tido uma posição ativa desde o início do conflito.

No seu site, assim como nas redes sociais, é possível verificar vários artigos de opinião que salientam que o objetivo da invasão da Ucrânia “é proteger os civis que sofrem com a militarização, nazificação do seu país e do facto de que neonazistas dominam o território”. No dia 27 de abril, inclusive, a Fundação fez uma publicação a apoiar a ideia da criação de um espaço euroasiático que une Lisboa a Vladivostok, aquele que é definido pelo ex-presidente da Rússia Dmitry Medvedev como o “objetivo final” da invasão de Putin.

A Embaixada da Rússia em Portugal também vinca que as associações de compatriotas russos funcionam em Portugal de forma transparente, “e não escondem resultados da sua atividade”. O principal objetivo destas associações é, de acordo com o comunicado, a promoção da cultura da Rússia, apoio à língua, organização de eventos educativos e humanitários. Ou seja, acrescenta, “são os mesmos objetivos como, por exemplo, das comunidades portuguesas no estrangeiro”.

Depois de a Associação de Ucranianos em Portugal ter escrito uma carta no dia 2 de abril, à secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Graça Mira Gomes, a embaixadora da Ucrânia em Portugal reforçou o alerta numa entrevista exclusiva à CNN Portugal. Inna Ohnivets admitiu que temia pela segurança dos refugiados ucranianos que têm chegado a Portugal, pois estas associações têm cooperado com a Embaixada Russa.

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