Esquerda "de bloqueio" francesa diferente da "responsável" de Costa, diz ministro

Agência Lusa , DCT
11 jun, 09:43
Ministro francês dos Assuntos Europeus, Clément Beaune. (AP Photo/Michel Spingler)

Os eleitores franceses vão no domingo às urnas na primeira volta das eleições legislativas, que vão determinar a manutenção, ou perda, da maioria do Presidente Emmanuel Macron na Assembleia Nacional, nos próximos cinco anos

O ministro francês dos Assuntos Europeus, Clément Beaune, candidato às eleições legislativas, afirma que seria "um bloqueio" político uma vitória da esquerda francesa, que distingue da “responsável” e europeísta de António Costa em Portugal.

"Acredito na vitória e numa maioria do Presidente, porque o país precisa de avançar, não de regredir. Temos de ouvir, como é óbvio, todos os lados. As pessoas mais impacientes, as pessoas que estão zangadas com a questão ambiental ou as prestações sociais, mas o bloqueio é a pior das soluções", afirmou Clément Beaune em declarações à Agência Lusa.

Os eleitores franceses vão no domingo às urnas na primeira volta das eleições legislativas, que vão determinar a manutenção, ou perda, da maioria do Presidente Emmanuel Macron na Assembleia Nacional, nos próximos cinco anos.

Muito próximo de Macron e candidato da coligação Ensemble!, que agrega o partido do Presidente e outras três forças políticas, na 7ª circunscrição de Paris, Clément Beaune, está a candidatar-se pela primeira vez nestas eleições.

Para este governante, uma vitória da esquerda seria um bloqueio, com uma coabitação entre Macron e um Governo liderado por Jean-Luc Mélenchon a não ser a melhor solução para o país.

"Uma coabitação nas condições atuais, neste momento, é verdadeiramente um bloqueio e não queremos isso", declarou o candidato às legislativas de 12 e 19 de junho.

Beaune é um dos ministros em perigo de sair do Governo, pois dos 15 membros do executivo candidatos quem não ganhar o seu círculo eleitoral será obrigado a deixar as suas funções, segundo informou o Palácio do Eliseu.

"As eleições são sempre difíceis, para mim é a minha primeira eleição, mas o que seria se o Governo ficasse nos seus gabinetes e não levasse a cabo uma batalha parlamentar que vai dar uma maioria ao Presidente? Devemos estar comprometidos para dar o exemplo e é isso que faço em Paris", explicou.

Para este governante, com a possibilidade de uma "desobediência" face a Bruxelas da coligação Nova União Popular Ecologista e Social (Nupes) à esquerda, a França deve ter em conta o exemplo de Portugal.

"Portugal conheceu momentos assim, sei que o primeiro-ministro António Costa sempre defendeu um compromisso à esquerda no seu caso, mas sempre europeu e com a responsabilidade que caracteriza um grande líder político", indicou.

O ministro considera que "a campanha correu bem", mas no terreno está empatado com a sua rival da Nupes, Caroline Mecary. O seu círculo eleitoral é tipicamente de esquerda, mas Macron conseguiu uma ligeira vantagem nas presidenciais, seguido de perto na primeira volta pelo líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon.

Depois da vitória de Emmannuel Macron na segunda volta das eleições presidenciais em abril, sobre a candidata de extrema-direita Marine Le Pen, as legislativas vão definir a composição do próximo parlamento.

A primeira e segunda voltas das eleições legislativas estão marcadas, respetivamente, para 12 e 19 de junho.

Atualmente, Macron detém a maioria na Assembleia da República, e no seu último mandato o seu partido viabilizou reformas impopulares, como a do subsídio de desemprego e algumas medidas polémicas contra a covid-19.

Com mais de 48 milhões e eleitores inscritos, as sondagens mostram que o número de franceses que podem optar hoje por não ir às urnas pode quase duplicar face à segunda volta das eleições presidenciais, quando atingiu 28%. Agora, para a primeira volta das legislativas, entre 48% a 52% da população diz que não pensar votar, o que seria um recorde absoluto da abstenção em França.

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