Quem é Diva Nélia?

11 mar, 11:00

Uma professora de matemática vai juntar-se a um youtuber, um maestro e a muitos dissidentes do PSD: eis a futura bancada parlamentar do Chega

Tem 49 anos, vive em Beja, é professora de matemática há 21 anos e prepara-se para se estrear no Parlamento português. É um dos 48 deputados já eleitos pelo Chega, que nestas eleições teve mais de um milhão de votos. Muitos dos novos deputados nunca fizeram política. São youtubers, gestores, realizadores, maestros, professores, descendentes da nobreza, entre outros, e muitos são dissidentes do PSD e de outros partidos. É o caso de Diva Nélia, que ensina matemática num colégio privado em Vila Nova de Milfontes e que deixou o partido liderado hoje por Luís Montenegro para se juntar a André Ventura. Em breve irá, pela primeira vez, suspender a sua profissão para ir para o Parlamento.

“Sou e serei professora. Ser deputada não é uma profissão, é uma missão”, disse Diva Nélia à CNN Portugal pouco depois de saber que tinha sido eleita por Beja, onde o Chega teve 21,55%, sendo a segunda força política mais votada, depois do PS.

Diva Nélia garante que vai assumir o cargo de parlamentar na nova legislatura e, por isso, terá de deixar de dar aulas “enquanto estiver como deputada”. Foi durante anos militante do PSD, mas há três anos aderiu ao Chega. “Fui com 12 anos para a JSD e fui militante até há quatro anos”, conta. Diva Nélia Capela de Jesus Ribeiro já tinha cargos no partido de André Ventura, como presidente da mesa da distrital de Beja e presidente da concelhia de Beja do partido.

É mãe de duas raparigas, uma de 21 anos e outra de 15. A mais velha, conta, está a estudar medicina e a mais nova vive com Diva e o companheiro em Beja. A nova deputada assegura que há temas que quer levar ao parlamento, como o da Agricultura. “Beja e os agricultores têm sido esquecidos no Parlamento”, critica a militante do Chega, dizendo que é “preciso falar de agricultura” que “é o motor económico do distrito” de Beja.  

A futura deputada tirou a licenciatura na Universidade de Évora. Foi numa IPSS que começou a dar aulas, passando depois - e antes de ser contratada pelo Colégio em Vila Nova de Milfontes -, pelo Instituto de Emprego, onde deu formação em Beja e em Évora, conta.

Os dissidentes

Tal como Diva Nélia, muitos dos deputados do Chega são dissidentes do PSD. É o caso de Henrique Freitas, que chegou a ser secretário de Estado da Defesa e dos Antigos Combatentes no governo de Durão Barroso e que agora foi eleito pelo Chega pelo círculo de Portalegre. Entre os dissidentes do PSD está ainda, entre outros, Maria Manuela Tender, uma professora que foi deputada pelo PSD e que agora regressa ao Parlamento pela mão do Chega, pelo círculo de Vila Real, exatamente o mesmo do tempo em que foi parlamentar social-democrata. Também Rui Cristina, que foi deputado do PSD, mas que se desfiliou e passou a deputado não inscrito, volta ao hemiciclo, agora pelo Chega.

Numa noite em que o partido de André Ventura foi dado como vencedor desde quase o início, o Algarve assumiu especial destaque: ao ganhar em Faro, o Chega fez com que esse distrito ficasse pintado de azul no mapa eleitoral, contrariando o que se tem passado nos últimos 33 anos: desde as legislativas de 1991 que o mapa eleitoral por distritos não tinha mais do que duas cores, a do PS e a do PSD. Em Faro, o Chega colocou quatro deputados. A última a entrar foi Sandra Pereira Ribeiro, uma diretora comercial de 50 anos que vive em Vilamoura e se tornou numa das 13 mulheres que vão estar na bancada parlamentar do Chega. Um delas é Luísa Costa Macedo, professora de Educação Física e mãe de uma família numerosa, que foi eleita pelo círculo de Santarém, onde o Chega elegeu mais dois deputados, Pedro Frazão e o músico Pedro Correia. É na área da cultura que se move este novo deputado, 49 anos, do Entroncamento, que é maestro e professor no Conservatório de Música de Santarém.

O youtuber e o descendente da nobreza

O primeiro entre todos os candidatos do Chega a ter lugar na Assembleia da República com base nestas eleições legislativas foi, porém, João José Rodrigues Tilly. Trata-se de um conhecido youtuber, de 63 anos e de Seia, que cria conteúdos sobre o partido de André Ventura nesta rede social. Foi eleito por Viseu, assim como o colega de partido e descendente da nobreza Bernardo Cappelle Homem Caldeira Pessanha, de 41 anos, que foi assessor de comunicação do grupo parlamentar do partido, o mesmo cargo que exerceu em tempos no PSD.  Também Cristina Rodrigues, ex-deputada do PAN, vai regressar ao Parlamento, mas agora irá sentar-se na bancada do Chega, depois de ter sido eleita pelo círculo do Porto, com mais outros seis colegas de partido.

Quando ao início da noite, às 20h20, André Ventura chegou ao quartel general, onde estava reunido o Chega nesta noite eleitoral, já todos o davam como o vencedor da noite. O mais de um milhão de votos levou-o a garantir que o bipartidarismo entre PS e PSD tinha acabado, a colocar-se como aliado de um “governo de direita”. E se a noite começara bem para André Ventura, foi também a freguesia onde nasceu – Algueirão-Mem Martins, em Sintra - , a maior e por isso última a ser terminada a nível nacional. Passava da uma e meia da madrugada quando os resultados foram conhecidos: o Chega tinha subido onze vezes o número de votos absolutos comparativamente com 2019, ano em que teve 722 votos naquela que então foi a freguesia com maior percentagem no partido de André Ventura. Agora em 2024 conseguiu 8.335. Ou seja, na terra onde nasceu, Ventura cresceu, desde 2019, mais de 1000%.

Este artigo foi alterado para corrigir os dados relativos à deputada eleita pelo Chega em Santarém, Luísa Costa Macedo, que é professora e não escritora e autora de livros infantis, como foi referido por lapso.  

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