Igualdade de género vai levar 300 anos a ser alcançada, alerta Guterres

CNN , Tara Subramaniam
7 mar 2023, 09:02

Secretário-geral da ONU denuncia retrocessos nos direitos das mulheres e raparigas.

O progresso no sentido da igualdade de género está “a desfazer-se à frente dos nossos olhos”, afirmou esta segunda-feira António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, à Comissão sobre o Estatuto da Mulher.

Falando ao grupo-chave da ONU sobre os direitos da mulher, antes do Dia Internacional da Mulher, a 8 de março, António Guterres disse que a igualdade de género está “a 300 anos de distância”, de acordo com as últimas estimativas da ONU Mulheres, a organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de género e ao empoderamento das mulheres.

Guterres citou taxas elevadas de mortalidade materna, raparigas forçadas a casar cedo e raparigas raptadas e agredidas por frequentarem a escola como prova de que a esperança de alcançar a igualdade de género “está a ficar cada vez mais distante”.

No seu discurso, Guterres não mencionou o Irão, que foi expulso da comissão de 45 membros em dezembro por protestos após a morte de Mahsa Amini enquanto estava sob custódia da chamada “polícia da moralidade” do país.

“Os direitos das mulheres estão a ser abusados, ameaçados e violados em todo o mundo”, disse Guterres, nomeando alguns países em particular, incluindo o Afeganistão, onde diz que “as mulheres e raparigas foram apagadas da vida pública”.

Na segunda-feira, jovens mulheres afegãs reuniram-se às portas da Universidade de Cabul para protestar contra a proibição da educação feminina pelo regime Talibã, uma restrição que, segundo um novo relatório da ONU, pode equivaler a “um crime contra a humanidade”.

O relatório apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos em Genebra na segunda-feira também registou o aumento dos casamentos forçados e dos casamentos de crianças, a proibição que exclui mulheres de outros espaços públicos como parques e ginásios, e outras restrições que limitam a capacidade das mulheres para trabalhar e viajar de forma independente no Afeganistão.

Segundo Guterres, o secretário-geral adjunto e o diretor executivo da ONU Mulheres visitaram recentemente o Afeganistão e transmitiram às autoridades talibãs que “nunca desistiremos de lutar pelas” mulheres e raparigas.

"As crises e conflitos afetam primeiro e mais as mulheres e raparigas”, disse Guterres, dando como exemplo a guerra na Ucrânia. No ano passado, a ONU apelou a uma investigação sobre relatos de violação e violência sexual contra mulheres e crianças ucranianas após a invasão da Rússia.

Guterres disse também que “em muitos lugares, os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres estão a retroceder”, embora não tenha especificado onde.

Em junho passado, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou a decisão Roe vs. Wade, deixando o direito ao aborto para decisão individual dos estados. No ano anterior, uma proibição de abortos devido a defeitos fetais entrou em vigor na Polónia - acabando essencialmente com quase todos os abortos no país.

Para alcançar a igualdade de género, Guterres apelou à ação “colectiva” e “urgente”, desde o aumento da educação, rendimento e emprego das mulheres e raparigas, especialmente nos países em desenvolvimento do Sul Global, até à promoção da participação das mulheres e raparigas na ciência e tecnologia.

“Séculos de patriarcado, discriminação e estereótipos prejudiciais criaram um enorme fosso entre os géneros na ciência e na tecnologia”, disse Guterres. “Sejamos claros: as estruturas globais não estão a funcionar para as mulheres e raparigas do mundo. Elas precisam de mudar”.

E.U.A.

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