Como os traumas da infância podem afetar a relação que temos com o dinheiro

CNN , Jeanne Sahadi
22 mai, 17:00
Abraço (Getty Images)

Ed Coambs, terapeuta e consultor financeiro, enaltece que ver os pais em dificuldades financeiras pode ter um efeito avassalador numa criança

Divórcio, desemprego, negócios falhados, despejo, falência ou pobreza. Poucas pessoas vivem a sua vida sem terem alguma situação financeiramente traumática. Tal acontece quando, em criança, uma pessoa vê os pais passarem por dificuldades ou se, em adulto, o próprio passar pela mesma situação. Por causa da pandemia, veem-se inúmeros casos como estes.

Este tipo de experiências podem afetar os hábitos monetários que cada um tem. Podem, de igual forma, prejudicar as finanças das pessoas, os seus relacionamentos ou ambos.

 

Experiências precoces deixam marcas profundas

Crescer num lar financeiramente volátil, sobretudo, se a família sobrevive com dificuldades, pode deixar marcas profundas. Pode, de igual maneira, influenciar a forma como uma pessoa lida com o dinheiro na idade adulta. Para tal, não importa o quão bem-sucedido, a nível financeiro, se tornará.

"Quando se é pobre, todos os dias são uma emergência. As pessoas sentem sempre que estão a uma conta de perder tudo", disse Mars Nevada, diretor de arte de uma agência de publicidade, a Delyanne Barros, apresentadora do “podcast” "Diversified" da CNN. "Ter esse tipo de ameaça, enquanto se é criança, vai atrapalhar a nossa maneira de ser, mesmo na fase adulta."

“As crianças podem interiorizar o stress, bem como a ansiedade, quando veem os pais a lutar financeiramente”, disse Ed Coambs, terapeuta, consultor financeiro e autor do livro: "The Healthy Love & Money Way: How The Four Attachment Styles Impact Your Financial Well-Being".

Coambs disse: “A maneira como se lida com o dinheiro, na idade adulta, pode ser uma resposta emocional para esses fatores de stress. Uma resposta pode ser a pessoa tornar-se muito restritiva na maneira como gasta dinheiro. De igual forma, pode criticar os gastos do seu parceiro.” O terapeuta também observou que o oposto pode resultar. “Uma pessoa pode ser excessivamente despreocupada com o dinheiro. Ela imagina que poderia muito bem viver o presente, uma vez que não sabe o que o futuro lhe reserva.”

“Da mesma forma, experiências traumáticas na infância - mesmo que não estejam relacionadas com dinheiro - tais como: a criança não se sentir amada pelos pais ou ser abusada sexualmente, podem ainda resultar em comportamentos financeiros que prejudicam a solidez monetária de cada pessoa. Isto pode, de igual maneira, minar os relacionamentos que tenha”, constatou Coambs.

Por exemplo, se uma pessoa gastar demais para aumentar a sua autoestima, não só isso pode gerar dívidas incontroláveis no seu cartão de crédito, bem como levar a críticas dolorosas por parte de um parceiro. Essa situação pode parecer a ameaça da rejeição que sentia quando era criança. Por sua vez, a nível financeiro, isto pode fazer com que a pessoa se torne mais reservada.

Traumas financeiros na idade adulta podem ter repercussões

Por vezes, o trauma financeiro vai afetar a pessoa na idade adulta e não na infância

Um exemplo particularmente pernicioso é ser apanhado de surpresa, a nível financeiro, por um cônjuge. Por exemplo, descobrir que o parceiro tem um caso pode ser traumático. No entanto, esse trauma agrava-se se descobrir que o cônjuge traidor gastou muito dinheiro com a outra pessoa.

"É tão traumático e pode mostrar a traição sexual. Simultaneamente, são duas situações bastante desagradáveis. Isto torna-se muito problemático porque a outra pessoa não sabia", disse Debra Kaplan, terapeuta e autora do livro "Battle of the Titans: Mastering the Forces of Sex, Money, and Power in Relationships."

Kaplan disse: “Assim, por exemplo, algumas pessoas podem reagir ao tornarem-se muito avessas aos riscos que correm com o seu dinheiro. O impacto desta situação revela-se da seguinte forma: “Como confio? Não posso confiar em mim porque acreditei nessa pessoa. Eu não sei o que é real.’ Então, essas pessoas acabam por não gastar porque não confiam.”

Encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com essa situação

Se suspeitar que tem hábitos financeiros impulsionados pelas emoções e que, de igual forma, estes são resultantes de uma experiência traumática, existem maneiras de reverter a situação para que estabeleça uma relação mais saudável com o dinheiro.

A terapia financeira é uma área que tem vindo a crescer. Geralmente, combina a experiência psicológica de um terapeuta habilitado com os conhecimentos de um planeador financeiro, quer a nível da gestão do dinheiro, quer ao nível das mudanças comportamentais financeiras.

“Às vezes, estas qualificações podem ser encontradas na mesma pessoa. Caso não as encontre, primeiramente, deve procurar um terapeuta”, recomendou Alex Melkumian, terapeuta familiar, matrimonial e fundador do Centro de Psicologia Financeira, em Los Angeles.

Melkumian disse:"Procure alguém que tenha um histórico clínico, de maneira a analisar o seu historial financeiro. Assim, descobrirá a razão pela qual se comporta de determinada maneira. Então, quando processar esses acontecimentos, pode encontrar-se com um planeador financeiro, de forma a analisarem os números.”

Antes de trabalhar com um destes profissionais, verifique sempre as credenciais e a experiência dos mesmos.

Pode encontrar um profissional com formação em terapia financeira na Associação de Terapia Financeira. De igual forma, pode encontrar um especialista em comportamento financeiro certificado no Instituto de Psicologia Financeira, fundado pelo psicólogo e planeador financeiro Brad Klontz.

 

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