Qual é a probabilidade de voltar a ficar infetado com a Ómicron?

25 jan, 10:21
Teste de deteção de SARS-CoV-2

Os relatos de pessoas que contraíram novamente o SARS-CoV-2 têm-se multiplicado e a culpa, em parte, é da Ómicron

Quão propensa é a Ómicron em reinfetar?

Com a chegada da variante Ómicron, o número de infetados tem vindo a aumentar e uma parte diz respeito a pessoas que já tinham contraído o SARS-CoV-2 e que estão agora novamente infetadas. Segundo a Imperial College London, o risco de reinfeção com a Ómicron é 5,4 vezes maior do que quando comparado com a variante Delta. Além disso, uma infeção prévia por SARS-CoV-2 apenas protege a pessoa de uma nova infeção em 19%, aumentando drasticamente a probabilidade de contrair novamente o vírus à boleia da maior disseminação da Ómicron. Por seu turno, um outro estudo, citado pela médica Ana Paula Rodrigues, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, durante a primeira reunião no Infarmed deste ano, vem mostrar um cenário mais agravado. Disse a especialista que a investigação concluiu que a Ómicron tem uma capacidade de reinfeção cerca de 10 vezes superior à variante Delta.

A CNN Portugal tentou saber junto da Direção-Geral da Saúde (DGS) se há dados quanto ao número de reinfeções em Portugal, mas não obteve resposta em tempo útil.

Pode a Ómicron ser a única responsável pelas reinfeções?

Não, até porque já foram notificados casos de reinfeção muito antes desta variante começar a circular. Porém, as suas características parecem ajudar a que o número de reinfeções seja maior.

Numa resposta por escrito enviada à CNN Portugal, João Paulo Gomes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2, revela que “no que diz respeito à Ómicron em particular, dado que se trata de uma variante mais transmissível e com maior capacidade de fuga aos nossos anticorpos, a comunidade científica tem assumido a sua maior associação a reinfeções do que era observado para as outras variantes”. 

No entanto, frisa o especialista, “tal hipótese carece de robustez científica”, uma vez que “não existem dados oficiais e que, não só a taxa de vacinação, como o grau de confinamento (“medidas restritivas”) em vigor nos vários países está sempre a mudar e é heterogéneo entre países, dificultando estudos comparativos adequados entre as várias variantes”.

Qual o espaço de tempo entre uma infeção e outra?

Estima-se que há sempre um período mínimo de 90 dias entre uma infeção por SARS-CoV-2 e um novo contágio com o mesmo vírus, mas a “proteção pode durar cinco a seis meses”, seja pela vacinação ou contágio, diz Manuel Ferreira Magalhães, pneumologista pediátrico e professor auxiliar convidado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS) e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). No entanto, revela o El Mundo, a reinfeção pode acontecer em menos de três meses se em causa estiver uma variante diferente da primeira infeção.

Quem são os mais vulneráveis à reinfeção?

As mesmas pessoas que estão vulneráveis a uma primeira infecção: não vacinadas, imunossuprimidas ou pessoas com comorbilidades. Porém, e tal como a Ómicron tem mostrado, até mesmo as pessoas que já foram infetadas e posteriormente vacinadas podem voltar a contrair o SARS-CoV-2, sendo que os sintomas tendem a ser muito ligeiros ou até inexistentes.

Se a Ómicron pode atingir quem já foi infetado pela Delta, o contrário pode acontecer?

À partida não. Pelo menos, essa é a conclusão de um recente estudo desenvolvido por investigadores sul-africanos, que demonstra que a variante Ómicron poderá significar o fim da Delta, uma vez que a nova variante parece ser mais resistente aos anticorpos da anterior estirpe, o que faz com que possam escapar a posteriores infeções com esta variante mais fatal e que dominou no ano passado.

É possível ficar reinfetado com Ómicron quando a primeira infeção foi com essa variante?

É difícil dar uma resposta taxativa por duas razões: a variante ainda não está em circulação há três meses (foi identificada na África do Sul no final de novembro e só depois é que começou a circular por outros países) e, por isso, há ainda pouca evidência científica do seu comportamento a médio e longo prazo. No entanto, explica Manuel Ferreira Magalhães, pneumologista pediátrico e professor universitário, “devido à inexistência de capacidade do sistema imunitário de produzir uma defesa permanente do SARS-CoV-2”, é possível que a pessoa possa ser infetada duas vezes pela mesma variante, uma vez que “não existe memória imunitária”.

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