Dados foram apresentados na reunião do Infarmed que reunião esta quarta-feira governantes e especialistas
Ana Paula Rodrigues, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, afirmou esta quarta-feira no Infarmed que espera um “padrão diferente” desta nova onda pandémica com a variante Ómicron, com uma elevada incidência e prevalência mas com menor peso das infeções mais graves.
Segundo os dados recolhidos acerca da variante Ómicron, existe "um risco inferior" - quer de internamento, quer de ida à urgência - em todas as faixas etárias nos casos de infetados com a variante descoberta na África do Sul. Apesar de tudo, Ómicron tem uma capacidade de reinfeção cerca de 10 vezes superior à variante Delta.
Na apresentação que fez na reunião de peritos do Infarmed, Ana Paula Rodrigues, explicou, citando vários estudos, que a efetividade da vacina contra infeção no caso da variante Ómicron situa-se entre os 40% a 70% e é considerada “moderada contra a infeção sintomática”.
Os estudo apontam para que a efetividade vacinal contra a Ómicron seja mais baixa do que contra a Delta. No entanto, a especialista sublinha que a toma de uma dose de reforço produz um aumento da efetividade da vacina com valores a rondar dos 88%.
"São valores inferiores à efetividade encontrada contra a Delta, mas após o reforço estes valores aproximam-se. E ainda não se sabe ainda qual é o decaimento desta efetividade com o tempo, mas espera-se que seja mais lento", explicou.
Sublinhou ainda que, apesar da menor efetividade das vacinas, é esperada uma carga de doença elevada, mas com gravidade mais baixa, pois “há vários sinais de menos gravidade na infeção por Ómicron”.
“É mais benigna do que a que tínhamos anteriormente”, considerou a especialista, insistindo que “justificam-se as medidas de proteção individual, independentemente da idade, assim como o reforço da vacina e a continuidade da vacinação nos atuais grupos alvo”.
A especialista apelou ainda para a manutenção das medidas de proteção individual e o reforço da vacinação, em particular no que toca aos grupos de risco. Ana Paula Rodrigues destaca principalmente o grupo etário com idades entre os 50 e os 59 anos que não tomaram a terceira dose da vacina, apelando a que tomem "cuidados adicionais".
Citando dados experimentais da Universidade Hong Kong, o especialista indicou que, no caso da variante Ómicron, o processo de replicação nas vias aéreas superiores é 70 vezes mais rápido do que na variante Delta, mas 10 vezes mais lento nas células inferiores do pulmão, o que explica a menor severidade da doença.
Acrescentou igualmente que “não há diferença significativa entre infetados com a Ómicron e com a delta no que se refere à carga viral”.