Recuperados da Ómicron poderão escapar a posteriores infeções da Delta, revela estudo

CNN Portugal , BCE
29 dez 2021, 17:37
Lisboa
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Um estudo desenvolvido por investigadores sul-africanos demonstra que a variante Ómicron poderá significar o fim da Delta, uma vez que a nova variante parece ser mais resistente aos anticorpos da anterior estirpe

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Os recuperados de uma infeção da variante Ómicron de covid-19 poderão conseguir escapar a infeções posteriores da variante Delta, de acordo com os resultados de um estudo desenvolvido por uma equipa de cientistas do Instituto de Investigação em Saúde da África, publicado nesta segunda-feira.

Citado pelo New York Times, o virologista Alex Sigal, que liderou o grupo de investigadores do estudo, salientou que "a Ómicron provavelmente vai acabar com a [variante] Delta", o que, no seu entender, "talvez seja uma coisa boa", uma vez que a Ómicron, identificada em novembro passado na África do Sul, é uma variante "com a qual podemos conviver mais facilmente e que atrapalha menos do que as variantes anteriores".

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Atualmente, as autoridades de saúde estimam que a Ómicron possa provocar, em pouco tempo, uma onda de casos que, consequentemente, irão sobrecarregar sistemas de saúde em todo o mundo. Porém, de acordo com as previsões deste estudo, a longo prazo, a pandemia não será tão grave com o domínio da Ómicron, uma vez que estão previstas menos hospitalizações e menos mortes provocadas pela infeção desta nova variante, quando comparada com a variante Delta.

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De acordo com cientistas independentes, estes resultados, embora preliminares, são sólidos. Pelo menos é isso que está a acontecer no Reino Unido, segundo explicou ao mesmo jornal o epidemiologista Carl Pearson, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

“A Ómicron chegou e propagou-se rapidamente, enquanto a tendência da Delta está a diminuir”, assinalou.

No início da pandemia de covid-19, há cerca de dois anos, as pessoas que ficavam infetadas com o SARS-CoV-2 produziam anticorpos que permitiam uma proteção contra a doença. Ou seja, os casos de reinfeção eram muito raros.

Porém, com a emergência das novas variantes do vírus, passou a ser evidente que algumas delas, como a Delta, que passou a ser predominante no verão passado, conseguiam adaptar-se e resistir aos anticorpos, independentemente de serem anticorpos resultantes de infeção ou das vacinas. 

Já a nova variante Ómicron, detetada no mês passado, não só se propagou mais rapidamente do que a Delta, como também foi capaz de infetar pessoas vacinadas e recuperadas da doença por variantes anteriores.

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No início do mês de dezembro, a mesma equipa que desenvolveu este novo estudo publicou um outro no qual confirmava isto mesmo, ou seja, a resistência da Ómicron aos anticorpos produzidos pelas vacinas ou pela infeção de outras variantes. Para tal, os investigadores analisaram amostras de sangue de pessoas que foram vacinadas ou que recuperaram da vacina, e misturaram essas amostras com diferentes variantes.

Ómicron parece ser resistente aos anticorpos da Delta

Tal como previam, os anticorpos, que demonstraram ser muito potentes contra a Delta e anteriores variantes, não tiveram o mesmo efeito com a Ómicron. Estes resultados permitiram explicar porque é que tantos vacinados e recuperados da covid-19 estavam a ser infetados com a nova variante Ómicron, embora com sintomas mais leves do que os associados à Delta.

Neste novo estudo, os investigadores fizeram a mesma experiência, mas, desta vez, numa amostra de pessoas que recuperaram da infeção pela variante Ómicron. Apesar de a África do Sul ter atingido um pico de infeções da nova variante, o grupo de investigadores liderados por Alex Sigal só conseguiu estudar 13 pacientes, justificando esta amostra com a dificuldade de encontrar voluntários na quadra natalícia. "Ninguém quer fazer parte de um estudo nesta altura”, lamentou.

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Dos 13 pacientes, apenas sete estavam vacinados. Os investigadores descobriram que a amostra de sangue destes 13 pacientes continha um alto nível de anticorpos contra a Ómicron, que também demonstraram ser eficazes contra a Delta.

O virologista Alex Sigal prevê, por isso, que a infeção pela Ómicron poderá conceder imunidade não só contra uma nova infeção da mesma variante, mas também contra a Delta. É por essa razão que o investigador considera que a Ómicron poderá significar o fim da Delta. 

Contudo, e tendo em conta que estas declarações se tratam de extrapolações de um estudo com 13 voluntários, ainda ficam muitas dúvidas em aberto, nomeadamente o que explica a vantagem da Ómicron sobre a Delta.

Epidemiologista prevê três cenários futuros para a covid-19:

Mesmo que a Ómicron acabe com a Delta, tal não significa que esta nova variante permaneça dominante durante várias gerações, até porque, assim que as pessoas conseguirem ficar imunes contra a Ómicron, é provável que surjam novas mutações que escapem a essa imunidade, tal como explicou o epidemiologista Carl Pearson, que admite três cenários para o futuro da covid-19:

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Num dos cenários, a covid-19 poderá ser semelhante à gripe, com a emergência de uma variante sazonal a cada ano; num outro cenário, o SARS-Cov-2 poderá ser semelhante ao vírus da Dengue, com a coexistência de várias variantes que escapam a diferentes anticorpos, provocando, assim, a doença. 

Por fim, o terceiro cenário é o mais desejável, embora seja também o menos provável, de acordo com Carl Pearson, e que diz respeito ao domínio de uma só variante, como o vírus do sarampo. Contudo, o epidemiologista não fecha a porta a este cenário, até porque "ainda é possível". 

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