Afinal, o ensaio do “míssil monstro” da Coreia do Norte foi fake?

30 mar, 06:49
Kim Jong Un visitou na quinta-feira uma base de lançamento de satélites

É o que garante a Coreia do Sul, após a análise detalhada das imagens do lançamento do míssil mais poderoso de Pyongyang, na semana passada: não é um míssil novo, mas uma arma de 2017. Há um míssil mais poderoso, mas o teste desse falhou

O mediático lançamento de um novo e poderoso míssil balístico intercontinental por parte da Coreia do Norte, na semana passada, pode ter sido, afinal… uma fraude. “Fake news”, como diria Donald Trump, que em tempos tentou ser amigo do ditador norte-coreano, Kim Jong Un. A acusação foi lançada esta quarta-feira pelas autoridades da Coreia do Sul.

Aquela que seria uma versão maior e mais potente do míssil balístico intercontinental norte-coreano é, afinal, o mesmo míssil que Pyongyang testou pela primeira vez em 2017. Não deixa de ser preocupante, até porque a Coreia do Norte está este ano a lançar mísseis a um ritmo sem precedentes, mas, neste caso concreto, trata-se de uma preocupação com mais de quatro anos.

Já há alguns dias que as autoridades de segurança e defesa da Coreia do Sul desconfiavam das imagens divulgadas pelo vizinho do Norte. O regime de Kim Jong Un fez um grande aparato mediático com a nova arma, que seria o míssil mais poderoso alguma vez testado pelo país, com capacidade de atingir qualquer ponto no território dos EUA e quase toda a Europa. Mas foi esse aparato mediático que despertou as primeiras suspeitas: as imagens do “míssil monstro” a ser lançado num dia de céu azul não batiam certo com as condições de tempo que, naquele dia, os satélites metereológicos registaram: céu nublado e cinzento. Essa foi só a ponta de um fio que começou a ser puxado pelos militares e pelos serviços secretos de Seul e de Washington. 

Agora, parece haver uma conclusão, já comunicada pelo governo sul-coreano aos deputados do país: o míssil balístico intercontinental que a Coreia do Norte lançou na semana passada foi provavelmente mais um Hwasong-15, que o país lançou pela primeira vez em Novembro de 2017.

Trata-se de uma versão menos avançada do que aquela que Pyongyang disse ter lançado na quinta-feira passada. Segundo a agência oficial de notícias da Coreia do Norte, a arma testada no dia 24 teria sido o Hwasong-17, um míssil de ogivas múltiplas. O Hwasong-15 foi concebido para transportar uma única ogiva nuclear. 

Para além do céu nublado, que não se via no vídeo divulgado pela propaganda da Coreia do Norte, as sombras no vídeo do lançamento do suposto Hwasong-17 não batiam certo com a hora a que o projétil foi lançado. O lançamento ocorreu, de facto, na quinta-feira à tarde, e o míssil caiu cerca de 70 minutos depois a 150 quilómetros da costa do Japão. Mas as sombras do Hwasong-17 que se vê no vídeo dizem que este foi disparado entre as 8 e as 10 da manhã perto da capital norte-coreana.

Afinal havia outro

Juntando as várias peças deste enigma, as autoridades de defesa da Coreia do Sul concluíram que o vizinho do norte fez, de facto, um lançamento bem sucedido naquele dia, mas de um Hwasong-15. Já o Hwasong-17 que se vê no vídeo será o protagonista de um lançamento falhado, ocorrido no dia  16 de Março durante a manhã.

De facto, nesse dia foi detetado o lançamento de um projétil que, pouco tempo depois, explodiu, ainda durante a fase de subida. Esse terá sido o único ensaio completo do “míssil monstro”, de que algumas componentes teriam sido testadas em lançamentos nas semanas anteriores.

Teria Pyongyang conseguido detetar e resolver em poucos dias os problemas que provocaram a falha no lançamento de dia 16? Segundo o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, não: oito dias "não era tempo suficiente" para identificar problemas técnicos e realizar outro teste do Hwasong-17. O ministério especula que o regime de Kim precisava de dar um sinal de força após os seus cidadãos terem testemunhado o fracasso do lançamento anterior.

Não é a primeira vez que a Coreia do Norte recorre a este tipo de batota. Em 2016, já havia manipulado as imagens de vídeo de um teste falhado de um míssil balístico lançado por um submarino. 

Apesar das suspeitas que se colocaram logo após o lançamento da semana passada, o Japão tem insistido em tratar esse ensaio como sendo de um novo míssil balístico intercontinental. Nunca antes uma arma disparada pela Coreia do Norte havia caído tão perto de solo japonês.

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