COP27: Presidente alemão cético sobre avanços pelo clima em tempo de guerra

Agência Lusa , DCT
5 nov, 11:54
Frank-Walter Steinmeier

“É difícil imaginar que em tempos de conflito e inclusive de confrontação militar, Estados como a Rússia ou a China desempenhem um papel construtivo em e depois de Sharm el Sheikh", declarou

O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, manifestou-se este sábado cético sobre os avanços a alcançar na Conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (COP27), a realizar na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, dadas as tensões políticas mundiais.

Durante um debate sobre política climática na cidade sul-coreana de Busan, Steinmeier alertou que o mundo está a entrar num novo período de conflito. “É difícil imaginar que em tempos de conflito e inclusive de confrontação militar, Estados como a Rússia ou a China desempenhem um papel construtivo em e depois de Sharm el Sheikh", declarou.

"É absolutamente necessário alcançar avanços, mesmo que as condições não sejam muito animadoras”, afirmou Steinmeier.

Em África, advirtiu, os desertos estão a expandir-se cada vez mais, a Europa está a perder os últimos glaciares dos Alpes e o número de fenómenos meteorológicos extremos está também a aumentar na Alemanha.

Quanto à Alemanha, Steinmeier sublinhou que transformar toda a economia para a tornar sustentável não é fácil num momento em que a maior economía europeia está a gastar muito dinheiro para manter a estabilidade na Europa, apoiar a Ucrânia com armas e aumentar o orçamento da defesa.

"É o mesmo dinheiro que precisamos para lutar contra a mudança do clima”, indicou Steinmeier antes de explicar o triplo desafío que o país enfrenta.

"O primeiro e mais importante é que agora temos de conseguir que as pessoas estejam bem e com segurança no próximo inverno. Em segundo lugar, após a invasão russa da Ucrania e o sofrimento e a destruição ali causados, temos de estar ao lado da Ucrânia e continuar a apoiá-la”, explicou.

Mas as alterações climáticas, destacou chefe de Estado, não dão treguas. “E por isso também devemos conseguir – e este é o triplo repto – manter o ritmo na luta contra a mudança do clima”.

Decisores políticos, académicos e organizações não-governamentais reúnem-se entre 06 e 18 de novembro em Sharm el-Sheikh, no Egito, na 27.ª cimeira da ONU sobre alterações climáticas, para tentar travar o aquecimento do planeta, limitando o aquecimento global a 2ºC (graus celsius), e se possível a 1,5ºC, acima dos valores médios da época pré-industrial.

Líderes como o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já confirmaram que vão estar presentes, e o Governo português vai ser representado pelo primeiro-ministro, António Costa.

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