Conferência dos Oceanos. Em "casa", Guterres falou em português (e citou Pessoa)

27 jun, 11:24
Conferência dos Oceanos da ONU

Secretário-geral da ONU pediu desculpa aos Estados-membros, mas, uma vez que está na sua cidade e país natal, começou por discursar em português

António Guterres deu início em português à Conferência dos Oceanos das Nações Unidas - que se realiza em Lisboa até sexta-feira -, arrancando um forte aplauso da plateia do Altice Arena.

Perante chefes de Estado e de governo de todos os continentes, o secretário-geral da ONU disse estar "em casa". "É com especial gosto que regresso ao Parque das Nações, para um evento com a maior relevância sobre os oceanos."

Sublinhando que partilha com os cidadãos portugueses "uma ligação ao mar" e apelando à "união" dos Estados membros, António Guterres citou um excerto do poema Infante, de Fernando Pessoa: "Deus quis que a terra fosse toda uma, que o mar unisse, já não separasse."

E foi esse o mote para que, já em inglês, apelasse aos esforços para a ação oceânica e mapear 80% do fundo do mar até 2030. 

Um discurso poliglota que culminou num provérbio em Suaíli, aplaudido desta vez pelos representantes dos estados membros da Conferência. "Bahari inatuhitaji hata hivyo", afirmou Guterres, que concluiu, traduzindo: "The ocean leeds us any way [o Oceano leva-nos a qualquer lado]."

Conferência dos Oceanos da ONU 2022 arranca esta segunda-feira em Lisboa e junta chefes de estado e de governo de todos os continentes. São esperados mais de 7.000 participantes de mais 140 países, 38 agências especializadas e organizações internacionais, mais de mil organizações não governamentais, 410 empresas e 154 universidades

Relacionados

Clima

Mais Clima

Patrocinados