Peixes-robô e biquínis que limpam o mar enquanto mergulha: estas invenções prometem salvar os oceanos (e o planeta)

27 jun, 07:00
Tartaruga recém-nascida enrolada em rede de pesca. Foto: Ozge Elif Kizil/Anadolu Agency via Getty Images

Conferência dos Oceanos da ONU 2022 arranca esta segunda-feira em Lisboa e junta chefes de estado e de governo de todos os continentes. São esperados mais de 7.000 participantes de mais 140 países, 38 agências especializadas e organizações internacionais, mais de mil organizações não governamentais, 410 empresas e 154 universidades

Os resíduos de plástico e a poluição são algumas das maiores ameaças que os oceanos enfrentam e prejudicam a vida marinha. Mas graças aos mais recentes avanços da tecnologia, estão a surgir novos aparelhos para ajudar a combater este problema ambiental. Eis algumas das invenções projetadas para limpar os oceanos e proteger os ecossistemas:

O primeiro sistema de limpeza do oceano

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico, que fica entre o Havai e a Califórnia, é tão grande que alguns chamam de "continente de lixo". No entanto, os seus dias podem estar contados.

Boyan Slat, um jovem cientista holandês, passou cinco anos a criar o The Ocean Cleanup, o primeiro sistema de limpeza oceânica do mundo. O novo dispositivo foi descrito como um "Pac-Man gigante" porque literalmente engole plástico e outros resíduos enquanto viaja: o sistema consiste em telas ligadas a tubos que flutuam enquanto capturam cada pedaço de plástico acumulado à superfície da água.

Este tubo gigante já começou a trabalhar na Grande Ilha de Lixo do Pacífico e estima-se que será capaz de reduzi-la em cerca de 50% nos próximos cinco anos.

Mas esta não é a única linha de ação de The Ocean Cleanup. Segundo noticia a Reuters, Boyan Slat e a equipa estão numa luta contra o tempo para apanhar o lixo do rio Motagua, no Panamá, que se estima que cresça 20 mil toneladas por ano, antes que este chegue ao mar. Aliás, o Motagua é provavelmente o rio mais importante do mundo quando se trata da poluição por plástico, contribuindo com cerca de 2% do total mundial de emissões de plástico para os oceanos.

Seabin, um caixote do lixo aquático

Os surfistas australianos Andrew Turton e Pete Ceglinski criaram um "caixote do lixo" que se apresenta como uma solução para o lixo nas águas. Trata-se do The Seabin Project, uma tecnologia que realiza a limpeza de resíduos poluentes das águas dos rios, lagos e mares. Os inventores inspiraram-se em máquinas que retiram folhas de piscinas.

E como funciona? O aparelho (que se parece realmente com um caixote do lixo) é colocado na água num ambiente controlado (por exemplo, portos e marinas), e suga a água e os resíduos encontrados nela, como plásticos, papéis, metais, restos de alimentos, óleos, entre outros. Dentro da máquina, os materiais sólidos são retidos para serem retirados posteriormente (podem até ser reciclados) e os líquidos passam por um cano e são filtrados, separando a água de óleos e detergentes, por exemplo. Após esse processo, a água é "devolvida" ao mar.

Os dispositivos estão espalhados em todo o mundo - incluindo em Portugal. O primeiro a ser instalado em território nacional surgiu de uma parceria entre a Fundação Mirpuri e Câmara Municipal de Cascais no Clube Naval de Cascais, em 2018. Já em 2020, a BBDouro instalou e pôs em prática o Seabin na Douro Marina, em Vila Nova de Gaia.

Um peixe-robô que remove microplásticos dos mares

Um grupo de cientistas da Universidade de Sichuan, na China, projetou um pequeno peixe-robô programado para remover microplásticos dos mares e oceanos, nadando e absorvendo-os na sua estrutura macia, flexível e auto-regenerativa.

Os microplásticos são milhões de pequenas partículas de plástico que se fragmentam dos objetos maiores de plástico usados todos os dias, como garrafas de água, pneus e tecidos sintéticos. São, aliás, um dos maiores problemas ambientais do XXI porque, uma vez dispersos no meio ambiente através da decomposição de plásticos maiores, são muito difíceis de eliminar, chegando à água potável, produtos e alimentos, prejudicando o meio ambiente e os animais, e, consequentemente, a saúde humana.

"É de grande importância desenvolver um robô para recolher e registar com precisão microplásticos poluentes do ambiente aquático”, disse Yuyan Wang, um dos principais autores do estudo ao The Guardian. "Do que sabemos, este é o primeiro exemplo deste tipo de robôs".

Estes pequenos peixes-robôs podem nadar, agarrar-se a microplásticos flutuantes e até se arranjam sozinhos caso sejam danificados durante a expedição. Têm apenas 13 mm de comprimento e, graças a um sistema de laser na sua cauda, nadam e batem as barbatanas a quase 30 mm por segundo, uma velocidade semelhante àquela com que o plâncton flutua na água em movimento.

Importa referir que este é apenas um protótipo e serão necessárias muito mais pesquisas – especialmente sobre como pode ser implantado no mundo real. Ainda assim, este design bónico pode oferecer uma plataforma de lançamento para outros projetos semelhantes, frisa Yuyan Wang. “Acho que a nanotecnologia é uma grande promessa para absorção, recolha e deteção de poluentes, melhorando a eficiência da intervenção e reduzindo os custos operacionais.”

Sponge Suit, o biquini que ajuda limpar o oceano enquanto vai à praia

A Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, criou um biquíni sustentável que tem um conceito de proteção dos oceanos com a capacidade de absorver os poluentes na água do mar.

O Sponge Suit, ou “Fato Esponja”, é um biquini feito com um tecido especial, que atua como um filtro e absorve os poluentes do mar enquanto toma banho, faz mergulho ou apanha umas ondas numa prancha de surf. Além disso, óleos e outros produtos químicos ficam “agarrados” às fibras do tecido.

De acordo com a universidade, o material pode absorver até 25 vezes o seu próprio peso e não liberta os materiais absorvidos (a menos que seja aquecido a uma temperatura superior a 1.000 graus Celsius).

E não é prejudicial para quem o usa: os poluentes ficam "presos" nos poros internos do material esponjoso, para que não toquem na pele. Depois de ser usado várias vezes, a almofada de esponja pode ser substituída por uma nova e a antiga pode ser reciclada até 20 vezes sem perder sua absorção.

A mopa eletromagnética

Os problemas ambientais exigem soluções não tóxicas, seguras e eficientes. Mas a tecnologia usada para enfrentar muitos desses problemas não melhorou ao longo do tempo. A tecnologia para conter e limpar derramamentos de óleo, por exemplo, não viu muita inovação em mais de 30 anos.

Contudo, o físico e inventor Arden Warner, do centro de física norte-americano Fermilab, acredita que pode ter encontrado uma resposta para os derrames de petróleo. E a solução passa por "borrifar" o óleo com magnetita moída, que o torna magnético. Em seguida, basta mover a EMOP - uma mopa magnética – sobre a superfície da água e aspirar o óleo através da atração magnética.

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