China detém cidadão de Taiwan por "atividades separatistas" e "pôr em risco segurança nacional"

Agência Lusa , CF
4 ago, 09:07
China

Detido "é há muito um defensor da independência de Taiwan" e tinha como objetivo "pressionar Taiwan a tornar-se um Estado soberano e a aderir às Nações Unidas", segundo a imprensa estatal chinesa

A polícia chinesa deteve na quarta-feira um cidadão de Taiwan, a viver na cidade de Wenzhou, por alegadamente se envolver em "atividades separatistas" e "pôr em perigo a segurança nacional", noticiou esta quinta-feira a imprensa estatal.

O suspeito, Yang Chih-yuan, nasceu na cidade taiwanesa de Taichung em 1990 e, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, "é há muito um defensor da independência de Taiwan".

Yang colaborou com outros para alegadamente criar uma organização "ilegal" com o objetivo de "pressionar Taiwan a tornar-se um Estado soberano e a aderir às Nações Unidas".

No início da quarta-feira, o Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, do Governo chinês, anunciou "punições" para organizações "relacionadas com elementos extremistas que procuram a independência de Taiwan" e acusou a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, e o seu partido, o Partido Democrático Progressista (DPP), atualmente no poder, de "conluio com forças estrangeiras" e de "arrastar Taiwan para um desastre".

A detenção ocorre menos de 24 horas após a líder da Câmara dos representantes do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, ter concluído a sua visita a Taiwan, uma viagem que enfureceu Pequim, que a apelidou de "farsa" e "deplorável traição".

Durante uma curta estadia na ilha, Pelosi prometeu que os EUA "não abandonarão" Taiwan, elogiou o sistema democrático do território e foi condecorada por Tsai Ing-wen.

A democrata também se encontrou em Taipé com ativistas dos direitos humanos, incluindo Lee Ming-che, preso por subversão na China continental entre 2017 e 2022, após passar a fronteira de Macau.

Taiwan, com o qual os EUA não têm relações oficiais, é uma das maiores fontes de conflito entre a China e os EUA, principalmente porque Washington é o principal fornecedor de armas da ilha e seria o seu maior aliado no caso de um conflito militar com o gigante asiático.

A China insiste na reunificação com Taiwan, que tem sido governada autonomamente desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para a ilha em 1949, após terem perdido a guerra civil contra os comunistas, e continuaram com o regime da República da China, que culminou com a transição para a democracia nos anos 90.

Ásia

Mais Ásia

Patrocinados