Hamas apresenta proposta de cessar-fogo e admite libertar todos os reféns. Negociações este domingo podem ser decisivas

16 mar, 20:07

Grupo que controla a Faixa de Gaza admite libertar os reféns doentes, idosos, crianças ou mulheres que não sejam militares na primeira fase do acordo de tréguas

Depois das últimas negociações terem acabado com uma nega de Telavive, o Hamas apresentou, esta sexta-feira, uma nova proposta para um cessar-fogo em Gaza aos mediadores egípcios e catari. Os Estados Unidos também foram notificados com os detalhes do potencial acordo de tréguas, como noticia o jornal israelita Haaretz, que cita a agência Reuters.

A proposta do grupo palestiniano é composta por três fases distintas que culminariam no fim dos combates na Faixa de Gaza, de acordo com a AP, que cita duas fontes das autoridades egípcias, com quem falaram sob condição de anonimato.

A primeira fase consiste num cessar-fogo de seis semanas, em que ocorreria a libertação de 35 reféns israelitas entre doentes, idosos, crianças e mulheres em troca da libertação de 350 prisioneiros de Israel.

O Hamas diz que libertará ainda pelo menos cinco mulheres pertencentes às Forças de Defesa de Israel em troca de 50 prisioneiros, incluindo alguns que estão a cumprir penas perpétuas por acusações de terrorismo. Outra das exigências é que o exército israelita se retire de duas das principais estradas de Gaza, permitindo aos descolados do enclave que retornem ao norte de Gaza.

Na segunda fase, ambos os lados declarariam um cessar-fogo e o Hamas libertaria os soldados israelitas em cativeiro em troca de mais prisioneiros.

Na terceira e última fase, o Hamas devolveria os corpos de israelitas que detém e Telavive colocaria um ponto final no bloqueio à Faixa de Gaza para o início da reconstrução do enclave.

Dos prisioneiros palestinianos visados na proposta, cerca de 100 estão a cumprir penas de prisão perpétua. Enquanto do lado de Telavive, a mulheres que pertencem às Forças de Defesa de Israel e estão em cativeiro também seriam libertadas. 

No total das três fases, seriam libertados entre 700 e 1.000 prisioneiros palestinianos.

A resposta israelita: "Exigências irrealistas mantêm-se"

 O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já reagiu à proposta vinda do enclave: “O Hamas continua a agarrar-se a exigências irrealistas”.

Telavive anunciou, no entanto, que ainda vai submeter a proposta à análise do Gabinete de Guerra e Segurança e que nos próximos dias emitiria um novo comunicado sobre o tema.

Ao contrário do que sucedeu nas anteriores negociações, desta vez não foi anunciada qualquer data para o início da trégua nem quanto tempo iria durar o cessar-fogo.

Era esperado que as negociações fossem retomadas durante a tarde de domingo, mas as fontes egípcias, entrevistadas pela AP, reconheceram que podem ser adiadas para segunda-feira

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