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Benfica não quer ganhar "Prémio Totó" (é mais Tchizé) — e Pinto da Costa até treme?…

12 jul, 22:15

Rui Santos escreve sobre o sinal que a comitiva do Benfica deu na sua ida à Alfândega para receber o Prémio Fair-Play

Ganhar um prémio de fair-play deveria ser considerado uma coisa boa e de prestígio.

Deveria ser elogiado e os seus protagonistas deveriam sentir-se orgulhosos em conquistá-lo.

O último Prémio Fair-Play, atribuído pela Liga Portugal, foi conquistado pelo Benfica e os seus representantes foram recebê-lo à Alfândega (vá, não comecem já com teorias suspeitosas ou de conspiração) de cara fechada e poucas palavras.

O dirigente SÍLVIO CERVAN mostrou cara de poucos amigos e deu o mote: “Em nome do Benfica, obrigado”.

E seguiram-se-lhe as miméticas de VLACHODIMOS, por vídeo (“Obrigado por este prémio”) e de HENRIQUE ARAÚJO, que venceu o Prémio de Melhor Jogador da II Liga (“Muito obrigado ao meu clube, o Sport Lisboa e Benfica”).

Ao ver as caras fechadas de LOURENÇO COELHO, SÍLVIO CERVAN, HENRIQUE ARAÚJO e SIMÃO SABROSA na aproximação à Alfândega, percebeu-se logo que havia ali uma tensão inusitada.

E, quando o desfile de mimetismo começou, confirmou-se que havia ali uma mensagem de comunicação ensaiada e a prévia tensão projectada a caminho da cerimónia poderia ser pelo medo de falhar a frase pré-decorada ou para as câmaras captarem o ar pré-dramático.

Depois do sorteio, o administrador LOURENÇO COELHO, o homem-forte de RUI COSTA para o futebol, resumiria a representação: “Temos uma força grande por trás. (…) Queremos muito mais do que o prémio Fair-Play e, se não nos respeitarem, seguramente não seremos candidatos a esse prémio”

Respeito, precisa-se.

LOURENÇO COELHO havia estado este tempo todo ‘fechado no convento’, isolado do Mundo, a trabalhar como um louco e invisivelmente na construção do Benfica 22-23, certamente de cabelos em pé por ver muita informação a ser vazada e transformada no Centro de Tratamento de Resíduos Tóxicos e Não Tóxicos (CTRTNTtv), e a sua primeira aparição pública nos tempos modernos ocorreu logo para quebrar a discrição e a invisibilidade no altar da Liga, salvo seja, como que a dizer: ‘fair-play’ o caraças, não queremos ver vistos como totós, nós vamos actuar mais ao estilo da TCHIZÉ (a mim ninguém me cala, nem irmãos, nem Estado angolano, nem Estado português, nem o MARCELO-que-devia-explicar-muita coisa).

É um Benfica mais TCHIZÉ e menos totó, porque em Portugal o Prémio Fair Play é visto como coisa para totós. E, se calhar, é, pelo andar da carruagem, carregada de explosivos.

O aviso não tem nada de singular ou inédito, e portanto o LOURENÇO não tirou um COELHO da cartola.

Calculo PINTO DA COSTA a ouvir aquilo e a tremer de medo, ele que é um especialista em controlar emoções, um homem de paz que usa a palavra para promover sessões de relaxe e alta descontracção.

Aqui para nós,  e sem ponta de ironia, estes avisos são cíclicos e a única novidade foi ter sido o novo ideólogo do futebol do Benfica, adepto da ordem e de um certo comportamento a protagonizar a (semi) indignação.

O Benfica sabe aquilo que todos sabemos: como ninguém tem autoridade ou as ferramentas necessárias para pôr cobro a um campeonato que continua a ser disputado sob o regime do grito e da ameaça, quem cala fica sempre como um ovo quando está a ser chocado pela galinha: abafado. Isso: chocado e abafado.

Estamos em Julho e o sinal está dado.

O recado é para a Arbitragem e para a Disciplina, para a FPF e para a Liga, para o FC Porto e para o Sporting e para quem se meter no caminho, sobretudo o SC Braga, se não houver água  no/na HORTA.

Nada original. O Benfica e RUI COSTA têm uma época determinante para o seu futuro e já perceberam que, independentemente daquilo que ROGER SCHMIDT possa fazer para tirar rendimento dos jogadores que vão fazer parte do plantel, a Liga não se ganha com romantismos.

Ganha-se com golos e berros, e mais alguma coisa que não é para aqui chamada.

Julho está particularmente quente, mas no futebol a época dos incêndios já começou (São Jorge Nuno também vem dando uma ajudinha).

Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro-Dezembro (mesmo com Mundial), Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio e Junho vão bater recordes de temperaturas.

Juízo poderia ter tido o árbitro HUGO MIGUEL se não tivesse saído do bafo do relvado para o forno do VAR.

Como diria o EÇA, [este calor tórrido] é de rachar. Está de ananases! Devia era estar… de tomates! Uma saladinha (dos ditos cujos) com este calor e muita água seria a melhor refeição.

Não engorda e seria bom para emagrecer alguns procedimentos.

Onde está a TCHIZÉ?…

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