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Colunista e comentador

O ‘mau perder’ de Conceição e as irradiações que não chegam

26 abr, 13:15
Treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, mostrou irritação junto da equipa de arbitragem após a derrota em Braga

Um presidente - PINTO DA COSTA.

Um treinador - SÈRGIO CONCEIÇÃO.

Um jogador e um ‘capitão’ - PEPE…

… E uma estrutura que funciona à volta destes pilares. Uma estrutura que tem uma administração que sustenta uma ideia de “contra tudo e contra todos” e uma claque-guardiã que serve de protecção dessa ideia e também de alerta para os que não obedecem ou resistem à ideia de domesticação ou captura.

PINTO DA COSTA e JOSÉ MARIA PEDROTO lançaram as sementes desta ideia de um clube marginalizado, perseguido e mal tratado pelo ‘resto do país’. É uma ideia que germinou nos últimos 40 anos com PINTO DA COSTA.

Não é que o presidente nem tenha as suas razões porque na verdade, histórica e politicamente, o País estava centrado na capital, com SPORTING e BENFICA a disputar entre entres a hegemonia.

A ‘era dos PEYROTEOS/Violinos’ e a ‘era de EUSÉBIO’ funcionaram como a floresta e o FC Porto era a árvore mais ou menos isolada e abandonada nessa floresta.

Esse reconhecimento deve ser feito, sem embargo de se reconhecer, também, que entretanto tudo mudou — e o ’25 de Abril’ juntamente com as pazadas de euros que entraram em Portugal ajudaram e muito nessa descentralização.

Em síntese: a maioria reconhece a importância da existência de um País menos assimétrico, menos desequilibrado nas oportunidades e na divisão dos poderes, mas o que se está a passar no futebol em Portugal não é a aceitação de algo elementar e benéfico que é a progressão de um nivelamento maior entre regiões num território tão pequeno; é a imposição coerciva de uma ideia de uma nova centralização, através da força do futebol e das influências que ele pode produzir no espectro político, no parlamento, nos tribunais e até na comunicação social.

O FC Porto é um clube vital e essencial para a afirmação de um país verdadeiramente democrático, também no futebol, mas como em tudo na vida não se pode exaltar as virtualidades da democracia e, na prática, ter comportamentos despóticos e ditatoriais.

A cara não combina com a careta (falar em democracia e promover a ditadura) e é esse desprezo pela existência de alternativas e um mínimo respeito pelos adversários e pelos órgãos decisórios que colocam tudo numa perspectiva de “ou me aceitas assim”, da forma como nós entendemos a ‘democracia’ e o nosso ‘pluralismo’, ou “vais ter problemas”.

Isto é inaceitável num País verdadeiramente democrático e isto não é menor respeito pelo FC Porto e pela cidade do Porto, ao contrário do que a propaganda nos quer fazer crer.

É uma questão de aceitação das regras e da não subversão das leis e do regime constitucional.

Toda a gente sabe disto, mas quase todos o ignoram, uns porque sabem que este é o combustível que gera a coesão interna e outros porque não estão para se chatear e não querem que o ‘futebol’ (coitado do futebol!) perturbe quotidianamente as suas vidas.

O FC Porto esta época superiorizou-se ao Sporting e ao Benfica e tem o reconhecimento geral de que a equipa é competitiva, joga um futebol genericamente mais intenso e mais competente na comparação com os seus rivais, mas também é de elementar aceitação que esta época, em muitos momentos, beneficiou da condução e de erros de arbitragem e tem sobre ela a visão máxima de intolerância que se pode encontrar no País, sem absolver Benfica e Sporting nesta matéria.

E é aqui que entra o ‘mau perder’ e o comportamento de SÉRGIO CONCEIÇÃO e também de LUÍS GONÇALVES, como agora se viu em Braga.

O que poucos ou ninguém entendem em Portugal é que não é razoável nem aceitável o tipo de comportamento de SÉRGIO CONCEIÇÃO e LUÍS GONÇALVES em relação aos árbitros. Mesmo que haja razões de queixa (e já se percebeu pela imprensa que há diversas formas de avaliação da arbitragem em Braga; para mim, houve um penáiti), o futebol e os seus órgãos não podem aceitar que estes comportamentos se repitam sempre que os resultados não são os almejados.

Um penálti justifica e Portugal o circo que se monta todas as semanas?!…

Com multinhas e uma justiça que dá três voltas ao Mundo para decidir um comportamento incorrecto ou indecente, com os clubes a explorar até ao tutano todas as manobras dilatórias, indo até às profundezas do inferno para esturricar aqueles que não alinham nas teses conspirativas e de vitimização, há sempre alguém disponível para condecorar estes heróis.

SÉRGIO CONCEIÇÃO até reconhece que tem ‘mau perder’. Mas isto não é só ‘mau perder’. Esta coisa dos ‘árbitros bons’ e ‘árbitros maus’ tem muito que se lhe diga. Não será mais honesto catalogá-los entre ‘árbitros capturados’ e ‘árbitros não capturados’?

Cada vez estou mais seguro daquilo que venho defendendo: os árbitros portugueses não têm condições para arbitrar em Portugal. Sim, eles estão (super) condicionados e ninguém quer ver isso.

Se LUÍS GONÇALVES é castigado e continua a ter comportamentos como os que voltou a protagonizar em Braga, falhando outra vez redondamente nas suas responsabilidades, o que é preciso fazer para o retirar definitivamente do banco de suplentes?

O que é preciso acontecer mais para acabar com aquela indecência no fim dos jogos de pedir explicações aos árbitros e tratá-los como se fossem assassinos?

Este é, aliás, um País condicionado e capturado na sua alma, que não tem coragem para acabar com estes abusos. E não apenas no futebol.

Uma tristeza!

Uns a jogar a bola e outros a fazer tudo para merecer a irradiação. Num futebol decente seria assim.

O ’25 de Abril’, de facto, ainda não chegou ao futebol.

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