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Hackers atacam página da Amnistia Internacional Portugal após relatório polémico sobre Ucrânia

9 ago 2022, 17:31
Hacker (Jakub Porzycki/Getty Images)

Trata-se do mesmo grupo que já tinha dirigido ataques contra o website do Partido Comunista Português

Um grupo de piratas informáticos que diz defender a Ucrânia atacou o website da Amnistia Internacional Portugal, sendo que a página ainda não está a funcionar. O ataque surge dias depois do polémico relatório daquela organização, que criticou Kiev por utilizar as cidades em combates contra a Rússia, colocando assim a vida de civis em risco.

Ao que a CNN Portugal conseguiu apurar, trata-se do mesmo grupo que tem atacado as infraestruturas digitais do Partido Comunista Português (PCP), que se recusa a condenar a invasão russa à Ucrânia. Por volta das 17:30 o website da Amnistia Internacional continuava sem funcionar.

Num documento a que a CNN Portugal teve acesso, o grupo acusa a Amnistia Internacional de se ter afastado dos seus “nobres propósitos”, afirmando que o relatório da organização colocou em “pé de igualdade a vítima e o criminoso”.

“Hoje paralisamos o site da Amnistia Internacional em Portugal. Estamos prontos para neutralizar a Amnistia Internacional no ciberespaço”, pode ler-se na nota, que termina dizendo que o grupo conta com a Amnistia Internacional para implementar a paz no mundo.

No comunicado há ainda espaço para um aviso ao diretor da Amnistia Internacional: "Sr. Pedro Neto, estamos a observá-lo. Evite o confronto. Evite um tsunami de ciberataques à Amnistia Internacional e seus financiadores. Está nas suas mãos, regressem à nobre missão da Amnistia Internacional. O mundo precisa de paz, contamos com a Amnistia Internacional".

"Nove para um", diz a Amnistia Internacional

Contactada pela CNN Portugal, a Amnistia Internacional Portugal lamenta o caso, explicando que o website também é uma forma que a organização tem de comunicar problemas e trabalhar em prol dos direitos humanos.

O diretor, Pedro Neto, compreende a frustração daqueles que são pró-Ucrânia, mas vinca que a Amnistia Internacional tem sido clara no seu posicionamento sobre a guerra: "Há relatórios feitos antes, cerca de nove, em que se denunciavam crimes de guerra e abusos russos. A diferença é de nove para um", disse, acrescentando que essa diferença "mostra bem que temos em consideração que o agressor é aquele que está a fazer pior".

Perante a frustração surgida na sociedade, revelou Pedro Neto, a Amnistia Internacional decidiu contextualizar e acrescentar algumas informações ao referido relatório, colocando-o mais de acordo com as sensibilidades existentes.

No documento, a Amnistia Internacional referiu uma série de incidentes nos quais as forças ucranianas parecem ter exposto civis ao perigo em 19 localidades nas regiões de Kharkiv, Donbass e Mykolaiv.

O polémico relatório da Amnistia Internacional já fez cair a diretora da organização na Ucrânia, motivando depois um pedido de desculpas por parte da sede da Amnistia Internacional.

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