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"Esqueci-me do que ia dizer". "Esqueci-me das chaves de casa". Será que é Alzheimer?". Saiba quando se deve preocupar

12 nov 2023, 12:00
Alzheimer

O Alzheimer é a principal preocupação quando episódios de esquecimento surgem, mas nem sempre essas dificuldades estão relacionadas à doença. Especialistas explicam em que casos o esquecimento pode representar uma preocupação sobre a saúde do cérebro.

Já todos nos esquecemos onde colocámos as chaves do carro ou de casa. Também já tivemos momentos em que não sabíamos onde tínhamos deixado o casaco ou o guarda-chuva. E há um episódio de falha de memória que é comum a muito: as famosas “brancas” que deixam as pessoas perdidos no raciocínio e sem capacidade de dar seguimento a uma conversa. Mas serão estes esquecimentos sinais de alerta ? A CNN Portugal falou com dois especialistas da doença de Alzheimer que esclarecem as dúvidas. 

Podem os pequenos esquecimentos ser um indício de demência ou de doença de Alzheimer? Pedro Carvalho, psiquiatra especialista em Alzheimer, garante que a resposta é um “não” imediato.

O especialista explica que esses “esquecimentos, chamados de défices cognitivos ligeiros, são perturbações da memória” e refletem-se na dificuldade em alcançar uma informação quando necessitamos dela. 

As causas dos momentos de esquecimento podem estar relacionadas com vários fatores, e é necessário perceber pela história clínica do doente quais os que se devem valorizar. Joana Morgado, Neurologista Especialista em Alzheimer, adianta, desde já, que “é muito frequente surgirem esquecimentos que resultam mais de defeito atencional”, como é o caso da situação de esquecer as chaves. Ou seja, os casos de esquecimento comum resultantes de défice de atenção são caracterizados pela falta de atenção, dificuldade de concentração e inquietação da pessoa.

Confirmando que os episódios de esquecimento não se associam à doença de Alzheimer, a neurologista lembra que “podem dever-se, por exemplo, à falta de descanso, perturbações de depressão, stress emocional e privação de sono”. E tanto Joana Morgado como Pedro Carvalho alertam para a existência de um outro gatilho para as falhas de memória: a ansiedade. 

Ansiedade ligada às falhas de memória

“A ansiedade tende a ser a causa mais comum atualmente”, avisa Pedro Carvalho, alertando para o facto de o conceito de ansiedade ter hoje em dia tomado conta das consultas dos psicólogos e psiquiatras. Os números atuais demonstram a dimensão deste problema cada vez mais frequente, sendo sobretudo os jovens quem mais sofre com esta questão”, nota o médico.  

A época de exames e testes de avaliação e os problemas no local de trabalho são, de acordo com os especialistas, momentos em que os mais novos se costumam sentir mais ansiosos.  “Mas é um tipo de ansiedade comum e normal”,  explica o psiquiatra, revelando que “estes momentos desencadeiam perdas de memória repentinas em diversas situações". Uma delas, a mais comum, é a de "falar em público.” 

Os sinais de alerta 

Quando os lapsos de memória são frequentes e interferem nas relações sociais, nesses casos, é preciso ficar atento, dizem os especialistas. Para a neurologista Joana Morgado, o esquecimento deixa de ser algo normal quando passa a comprometer as atividades da vida diária da pessoa. 

Assim os esquecimentos que alertam para doenças neurodegenerativas, nomeadamente a doença de Alzheimer, são os que se caracterizam “por falhas em memorizar informação recente, normalmente falhas de informação importante", esclarece a neurologista que indica alguns sinais de alerta, como o de a pessoa "apresentar um discurso repetitivo e ouvir a informação como se fosse a primeira vez que a está a ouvir”.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência. A neurologista explica que "é uma doença neurodegenerativa que danifica diversas funções cognitivas, como é o caso da memória, atenção e linguagem, que ao serem afetadas resultará na perda da capacidade funcional do ser humano" afetando o comportamento, a personalidade e outras capacidades essenciais da pessoa.

De acordo com Joana Morgado há outros sinais de alarme que podem indicar tratar-se não de puros esquecimentos, mas de doença de Alzheimer: “Desorientação temporal, dificuldade em dizer alguns nomes, dificuldade em planear ou organizar tarefas e alterações do comportamento".  

Quando estes sintomas se agravam, explica a médica, pode ocorrer "a perda de funcionalidade no dia a dia”.

Já Pedro Carvalho lembra que, para distinguir uma situação de esquecimento de uma outra que pode ser uma doença como o Alzheimer, tem também de se ter em conta "a frequência com que o ato de esquecer ocorre”.

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