A importância do que foi dito e do que não foi: Putin reconheceu uma "tragédia" mas não declarou oficialmente guerra

9 mai, 10:20

O hiperesperado discurso do 9 de maio, que assinala a vitória soviética sobre os nazis na II Guerra Mundial, teve os alvos de sempre - NATO, EUA, Ocidente. Putin pediu ainda um minuto de silêncio pelos russos que morreram em combate. Mas não anunciou aquilo que os analistas esperavam

O Ocidente esperava uma declaração oficial de guerra - de forma a mobilizar mais meios para a Ucrânia - mas tal não aconteceu. O presidente russo discursou no Dia da Vitória entre uma megalómana parada que demonstrou o poderio militar do país mas não revelou novos detalhes sobre o que a Rússia fará numa guerra a que continua a chamar "operação militar especial".

A Rússia assinala esta segunda-feira o 9 de Maio, o dia em que são homenageados todos aqueles que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. E foi entre o discurso do presidente russo que a Praça Vermelha realizou um minuto de silêncio - no final desse momento, Putin fez uma rara menção às perdas das forças militares para a Rússia, que admitiu serem "uma tragédia para todos nós" sobretudo "uma perda insubstituível para as suas famílias". O presidente russo desejou uma rápida recuperação aos soldados e oficiais feridos e adiantou que acabou de assinar uma ordem executiva para fornecer "apoio crucial" aos "filhos dos camaradas caídos". 

Mas após o discurso de Vladimir Putin há pouco para ler sobre o que a Rússia planeia fazer adicionalmente na Ucrânia. Aliás, o presidente russo referiu-se ao campo de batalha como "Donbass", em vez de toda a Ucrânia. Nesse sentido, o presidente considerou que as tropas russas estavam a lutar heroicamente no Donbass, mas não mencionou Mariupol ou qualquer outro território que a Rússia capturou ou não o conseguiu fazer.

Putin disse que as tropas russas e as milícias de Donetsk e Lugansk lutam pela sua pátria para que ninguém se esqueça das lições da Segunda Guerra Mundial. "Hoje, as milícias do Donbass, juntamente com o exército russo, estão a lutar nas suas próprias terras. Agora dirijo-me às nossas tropas e milícias em Donbass: estão a lutar pela sua pátria, pelo seu futuro, para que ninguém esqueça as lições da Segunda Guerra Mundial, para que não haja espaço para os nazis", disse Putin no seu discurso na Praça Vermelha, em Moscovo

O presidente russo disse ainda que a ação militar da Rússia na Ucrânia é uma resposta oportuna e necessária às políticas ocidentais. No discurso, Vladimir Putin disse que "a Rússia vai sempre apoiar a segurança" e deixou várias críticas à NATO. "A NATO não queria ouvir a Rússia porque tinha outros planos e estavam a preparar uma operação em Donbass contra o povo de Donbass. A NATO começou a explorar as nossas fronteiras e criaram uma ameaça para o nosso país."

O presidente russo culpou a Aliança Atlântica pela invasão da Ucrânia, dizendo que aquilo que a Rússia fez foi defender-se. "Nós vimos como os conselheiros estrangeiros estavam a trabalhar no fornecimento de armamento. O perigo estava a aumentar todos os dias. A Rússia teve de se defender e a decisão tomada foi a única correta. Foi a decisão de um país independente." 

A humilhação e o agradedimento

O presidente da Rússia acusou os Estados Unidos de se afirmarem como uma grande potência e humilharam os restantes países. "Os Estados Unidos, depois da queda da União Soviética, começaram a falar da sua exclusividade, humilhando os seus países satélites. E esses países estavam a engolir este discurso."

Mas, argumentou Putin, a Rússia "tem outra mentalidade" e, por isso mesmo, "nunca vamos aceitar o desrespeito pelo nosso país, pela nossa história". "Os países ocidentais decidiram esquecer-se dessas tradições", disse. 

Vladimir Putin deixou, no entanto, um agradecimento a todos os soldados, norte-americanos e chineses, que contribuíram para o Dia da Vitória: "Eu quero que eles saibam que nós temos muito orgulho em todos os soldados que contribuíram para a vitória. De todos os que nos ajudaram a combater o nazismo e o fascismo". 

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