Príncipe André vai mesmo a julgamento por abuso sexual

12 jan, 15:47

Membro da família real britânica tentou alegar que o processo aberto por Virginia Giuffre não era válido, mas a justiça norte-americana recusou arquivar o caso

O processo por abusos sexuais de que é alvo o príncipe André, filho da rainha Isabel II, vai mesmo para a frente, segundo a decisão de um juiz da cidade de Nova Iorque conhecida esta quarta-feira.

São, assim, neutralizadas as tentativas da equipa de defesa do monarca para a justiça americana arquivar o caso. Os advogados do príncipe André argumentaram que o processo, que deu entrada nos tribunais a 9 de agosto passado, não deveria seguir para julgamento pois alegam que um acordo estabelecido em 2009 entre a vítima, Virginia Giuffre, e o abusador Jeffrey Epstein, em que o bilionário pagou 500 mil dólares à australiana, o protegia de qualquer tipo de caso na justiça.

Apesar de não mencionar o nome do príncipe André diretamente, no acordo consta que este serve para “remeter, libertar, absolver, satisfazer e ilibar para sempre" as partes e "qualquer outra pessoa ou entidade que poderia ter sido incluída como potencial réu".

De acordo com o The Guardian, o juiz Lewis Kaplan explicou a rejeição da moção do príncipe André com o facto de ser prematuro considerar a mesma.

“A lei proíbe o tribunal de considerar, nesta fase, os esforços do réu de colocar em causa a veracidade das alegações da Sra. Giuffre, apesar de serem permitidos durante um julgamento. O trabalho do tribunal, nesta fase, é simplesmente determinar se há duas ou mais interpretações razoáveis daquele documento (acordo de 2009). Se há, a determinação de verdade deve esperar pelos procedimentos seguintes”, pode ler-se no documento.

Relações forçadas e ameaças

O processo deu entrada, no tribunal federal de Manhattan, em agosto de 2021, pelas mãos dos advogados de Virginia Giuffre, que em comunicado dizia que queria provar que tinha sido traficada e abusada sexualmente pelo membro da família real britânica.

“Estou a responsabilizar o príncipe André pelo que fez comigo. Os poderosos e ricos não estão isentos de serem responsabilizados pelas suas ações. Espero que outras vítimas vejam que é possível não viver em silêncio e medo e recuperar a própria vida exigindo justiça”, lia-se no comunicado divulgado na altura.

Segundo a acusação, que envolve um pedido de indemnização e punição, não divulgados, o príncipe terá abusado de Giuffre em várias ocasiões, quando esta tinha menos de 18 anos. E relata que, numa ocasião, o abuso sexual terá ocorrido em Londres, na casa de Ghislaine Maxwell, recentemente condenada por tráfico sexual, quando Epstein, Maxwell e o príncipe André alegadamente a forçaram a ter relações sexuais com o príncipe contra a sua vontade.

Noutra ocasião, o príncipe terá abusado sexualmente de Giuffre na mansão de Epstein em Nova Iorque, quando Maxwell alegadamente forçou Giuffre e outra vítima a sentarem-se no colo do príncipe André enquanto ele a tocava, frisa o processo. A acusação alega ainda que André terá abusado sexualmente de Giuffre numa ilha particular de Epstein, nas Ilhas Virgens.

Durante cada um dos alegados atos, Giuffre diz que recebeu “ameaças expressas ou implícitas” de Epstein, Maxwell e/ou André para se envolver em atos sexuais com o príncipe, pode ler-se ainda.

O processo aponta ainda que o príncipe André sabia a idade da vítima naquela altura e que, não obstante, procedeu “com o propósito de satisfazer os seus desejos sexuais”.

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