Cada vez mais utilizadores de trotinetes vão parar às urgências

22 nov, 12:36
Trotinetes elétricas (Associated Press)

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) verificou que 257 pessoas foram parar às urgências de ortopedia como resultado de acidentes associados a estes veículos, onde se incluem acidentes com condutores, com passageiros e ainda atropelamentos

Entre 2018 e 2019, 257 pessoas tiveram de recorrer às urgências de ortopedia do Hospital de São José, em Lisboa, na sequência de acidentes com trotinetas elétricas e os médicos acreditam que este ano os valores serão ainda mais elevados.  

Estes dados resultam de um levantamento concretizado pelos ortopedistas do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), entre outubro de 2018 e o mesmo mês de 2019 que foram publicados na edição deste mês da Acta Médica Portuguesa e divulgados esta terça-feira pelo jornal Público.  

Segundo indicado, dos 257 casos, 65 apresentavam fraturas, dos quais 35 precisaram de cirurgia.  

De acordo com o estudo - que inclui tanto acidentes com condutores, como com passageiros e ainda atropelamentos - a maior parte das lesões ocorre na zona da cintura e do tornozelo, sendo que esta última zona foi que a que mais precisou de parafusos ou placas para o tratamento, refere o Público.  

Em declarações ao jornal Público, o médico e autor do estudo Marino Machado alerta que este ano poderá ser pior, depois de um verão "muito claro em que era uma situação diária, com fraturas muitas vezes graves e com morbilidade associada".  

O médico explica que a investigação intende alertar para os perigos inerentes ao uso desregulado de trotinetas e apelar a uma maior legislação para a sua condução, numa altura em que estes veículos parecem invadir as cidades do país. 

Como tal, serve-se do que já acontece noutros países, elencando exemplos como a limitação de velocidade máxima em determinadas zonas da cidade, a realização de operações STOP aos utilizadores dos veículos, o preenchimento de um formulário antes do desbloqueio das trotinetas e a abolição dos serviços em determinadas horas para mitigar o problema.  

A Câmara de Lisboa, consciente deste problema, já revelou que quer colocar em prática uma estratégia de controlo que passa não só através da regulação do estacionamento, como também pela restrição da sua circulação, nomeadamente nas zonas pedonais.  

Além disso, visam “obter dados para monitorizar a atividade, planear rede ciclável e restante infraestrutura, designadamente os estacionamentos”, refere o novo regulamento, que deverá vigorar em 2023 e ao qual a CNN Portugal teve acesso, em junho deste ano.  

A verdade é que os acidentes decorrentes da condução destes veículos começam a gerar fortes preocupações, não só em Lisboa, como no resto do país. Os dados divulgados pelo jornal Público, vão ao encontro do que já havia sido indicado à CNN Portugal pela PSP.  

Desde 2018, verificou-se "uma subida do número de acidentes, bem como o aumento da gravidade dos mesmos, atendendo à evolução do número de feridos leves e graves”, afirmou uma fonte da PSP.  

Em 2018 houve 29 acidentes, com 21 feridos leves. Em 2019 o número total de sinistros subiu para 169, registando-se 119 feridos leves e 3 feridos graves.  

Em 2020 existiu uma descida, com 97 acidentes com trotinetes em todo o ano que fizeram 69 feridos leves e dois feridos graves. Em 2021, o número total de acidentes subiu quase 200% (ou seja, praticamente triplicou) com 290 sinistros que resultaram em 245 feridos leves e 7 feridos graves.  

O fenómeno das trotinetes não é recente e parece estar a tornar-se numa epidemia, não só no país lusitano como um pouco por todo o mundo.  

As questões de segurança imperam cada vez mais e, por exemplo, na capital francesa, a questão é tão alarmante que Paris está a ponderar banir os veículos da cidade, avançou a Reuters este mês. 

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