Ana Gomes mantém acusações a Mário Ferreira. Empresário quis mostrar documentação

CNN Portugal , com Lusa
18 fev, 14:29

A ex-diplomata argumentou ser uma "opinião fundamentada". Mário Ferreira afirma não querer discutir tema na praça pública e diz que carta que enviou pretendia dar a oportunidade de esclarecer

A ex-diplomata Ana Gomes manteve esta sexta-feira num tribunal do Porto epítetos de "criminoso fiscal" e de "escroque" que dirigiu ao empresário Mário Ferreira, considerando que se trata de uma "opinião fundamentada".

Ana Gomes disse que as considerações resultam de investigações das autoridades, e mesmo suas, algumas das quais não pode divulgar por estar vinculada ao segredo de justiça, enquanto assistente em processos judiciais: "Resultou [disto tudo] a minha convicção de que não ė uma pessoa séria", na sua atividade, frisou.

"Quem comete crimes fiscais é um trapaceiro maior", declarou perante o tribunal criminal do Bolhão, no Porto, no início do julgamento onde responde por difamação agravada.

No seu longo testemunho perante o tribunal do Bolhão, Ana Gomes referiu-se a outro confronto que a opõe a Mário Ferreira, este no tribunal de Peso da Régua, em Vila Real, e a um episódio posterior. "Depois da decisão no tribunal de Peso da Régua, recebi uma carta do senhor Mário Ferreira a convidar-me para falarmos olhos nos olhos", afirmou, acrescentando a convicção que daí resultou no seu espírito: "Tentou comprar-me".

Em resposta, Mário Ferreira rejeita as declarações de Ana Gomes e alega que enviou uma carta a Ana Gomes a "dar uma oportunidade de mostrar abertamente" o caso: "Se a intenção for esclarecer qualquer dúvida que tenha, eu levo-lhe as capas que tenho sobre este processo Atlântida e mostro tudo para ver que não é verdade o que diz".

"Ela disse que deveríamos explicar em tribunal e foi por isso que aqui viemos. Podíamos não estar a gastar o dinheiro de erário público com estas palhaçadas, mas assim quiseram. Nós preferíamos ter explicado logo tudo", afirmou Mário Ferreira.

Em causa estão considerações sobre o empresário do grupo Mystic Invest/Douro Azul e da TVI, produzidas pela antiga embaixadora na estação de televisão SIC Notícias e na rede social Twitter, na sequência de investigações e buscas relacionadas com a subconcessão do Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) e de negócios de navios.

Reagindo a um ‘tweet’ do primeiro-ministro, António Costa, após participar em 07 de abril de 2019 no batismo do MS World Explorer (paquete construído nos ENVC por iniciativa do grupo Mystic Invest), a também ex-candidata presidencial Ana Gomes lamentou que o chefe do Governo tratasse como grande empresário um “notório escroque/criminoso fiscal”, além de classificar a venda do ‘ferryboat’ Atlântida como “uma vigarice”.

Antes, em 03 de março de 2019 e num comentário na SIC Notícias, Ana Gomes referiu-se ao negócio do Atlântida como “um esquema completamente corrupto”. “Alias”, acrescentou, “eu depois demonstrei inclusivamente que havia crimes fiscais e envolvido nisso está quem beneficiou do navio Atlântida, o senhor Mário Ferreira, da Douro Azul”.

"Para mim não é normal. Afeta a minha honra e o meu bom nome e ela, por isso, terá que responder", afirmou o empresário, à saída do tribunal.

Num depoimento que ainda fazia cerca das 11:45, o assistente Mário Ferreira detalhou as condutas questionadas, concluindo que não foram dolosas.

"Faz denúncias por todo o lado e não concretiza", sublinhou.

Questionado se tem conhecimento sobre alguma investigação por parte da Procuradoria, o empresário revela: "Não temos, mas não me admiria nada e preparados para isso estaríamos porque nós não andámos a fazer falsas afirmações a ninguém".

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