Líder do Banco Central Europeu promete continuar a subir as taxas de juro

27 out, 14:12
Christine Lagarde (AP Photo)

O BCE antevê que a inflação se mantenha "demasiado elevada" e vai permanecer num nível elevado do valor alvo "por um período alargado"

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, prometeu esta quinta-feira continuar a aumentar as taxas de juro na zona euro até chegar ao nível de inflação desejado de 2%. As declarações da líder do BCE ocorrem depois de confirmada a decisão de aumentar as taxas de juro pela terceira vez este ano, em 75 pontos base.

“Tomámos a decisão de hoje [de subir as taxas de juro] e esperamos aumentar ainda mais as taxas de juro, para assegurar o regresso atempado da taxa de inflação para o nosso alvo de 2% a médio prazo", revelou Lagarde, durante a conferência de imprensa da instituição. 

No entender da liderança do BCE, a inflação mantém-se "demasiado elevada" e vai permanecer num nível elevado do valor alvo "por um período alargado". Atualmente, este valor situa-se nos 9,9% na Zona Euro.

O BCE já tinha decidido avançar com duas subidas das taxas de juro desde o início do verão, pondo fim a uma década de política monetária expansionista. Em julho começou com um aumento de 50 pontos base e em setembro acelerou para uma subida de 75 pontos base, voltando a fazer o mesmo agora. 

"Nos meses recentes, os aumentos dos preços, engarrafamentos das cadeias de fornecimento e a recuperação e procura pós-pandémica levaram a um ampliar do aumento dos preços e uma subida da inflação. A nossa política monetária é focada em reduzir a procura e salvaguardar contra o risco de uma subida de inflação persistente", explicou Christine Lagarde. 

A instituição antevê ainda que a atividade económica na Zona Euro atravesse um período de "desacelaração significativa" no final deste ano e até ao início de 2023. Com a redução dos salários reais dos consumidores e ao subir os custos de produção às empresas, a inflação vai continuar a fazer estragos na Europa. Além disso, as perturbações no fornecimento de gás-natural não melhoram a situação.

Christine Lagarde apelou ainda aos governos dos estados-membros para aplicarem as medidas fiscais necessárias para proteger a economia do impacto da inflação, particularmente entre os cidadãos mais vulneráveis. 

A presidente do BCE explicou, no entanto, que o Conselho do banco central não discutiu a redução do balanço da instituição, à semelhança do que tem sido feito pela Reserva Federal nos Estados Unidos, embora admita que esse debate possa começar já no mês de dezembro. Atualmente, o balanco do BCE ronda os 8,8 biliões de euros, um valor que cresceu muito nos últimos anos, com a instituição a conceder empréstimos de longo prazo aos bancos com juros bastante baixos.

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