Presidente da TAP considera que plano estratégico da companhia “é bom e está a trazer bons resultados”

Agência Lusa , AM - notícia atualizada às 12:42
2 nov, 12:01
Christine Ourmières-Widener, presidente executiva da TAP  (Miguel A. Lopes/ Lusa)

Já Gonçalo Pires, administrador financeiro da TAP, lembrou que a companhia está entre 12% a 13% abaixo da capacidade que tinha em 2019, antes da pandemia de covid-19

A presidente executiva da TAP defendeu esta quarta-feira, em Lisboa, que o plano estratégico da companhia “é bom e está a trazer bons resultados”, no mesmo dia em que a transportadora anunciou os resultados no terceiro trimestre.

“O nosso plano [estratégico] é bom e é certo, estando a produzir resultados”, considerou Christine Ourmières-Widener, numa conferência de imprensa, em Lisboa.

A TAP registou no terceiro trimestre do ano um resultado líquido positivo de 111,3 milhões de euros. Na nota divulgada pela CMVM, a companhia aérea revelou que registou entre julho e setembro “um recorde histórico de receitas operacionais”, que ascenderam aos 1,1 mil milhões de euros, “excedendo os níveis pré-crise em 7,5%”, o que lhe permitiu alcançar “um desempenho financeiro sem precedentes”.

Ourmières-Widener vincou que este resultado “foi muito bom”, embora tenha reconhecido que “há muito a fazer”.

Resultado até setembro continua negativo face à dívida

Na mesma conferência, Gonçalo Pires, responsável financeiro da TAP, precisou que a companhia está entre 12% a 13% abaixo da capacidade que tinha em 2019, antes da pandemia de covid-19.

“Voámos com 10 milhões de passageiros até setembro, abaixo dos 13 milhões com que a empresa voou no mesmo período”, referiu, explicando que, “com menos capacidade” foi possível ter uma melhor receita.

Só no terceiro trimestre, a receita esteve 7% acima da verificada no mesmo período do ano passado.

No final de 2019, a empresa tinha cerca de 105 aviões, sendo que este ano opera com 96 aeronaves.

“Temos menos aviões, mas estão mais cheios e os preços são melhores”, disse.

O responsável financeiro da TAP precisou ainda que a transportadora continuou a apresentar prejuízo no acumulado até setembro face ao valor da dívida.

“Nos primeiros nove meses, o resultado continua a ser negativo, o que é resultado da nossa dívida”, apontou Gonçalo Pires, assinalando que "a administração quer entregar uma TAP financeiramente sustentável e isso exige um trabalho de redução da dívida. Precisamos de tempo e de uma ‘performance’ positiva”.

Tarifa média subiu 23% até setembro

O responsável financeiro da TAP esclareceu que a tarifa média da companhia aérea subiu 23% até setembro, face ao período homólogo, impulsionada pelo preço dos combustíveis.

“Nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo período do ano passado, a tarifa média subiu 23%”, afirmou Gonçalo Pires, em resposta aos jornalistas.

De acordo com este responsável, a subida é justificada pelo “aumento brutal” do preço dos combustíveis.

Assim, conforme sublinhou, a TAP teve que rever os preços “para não perder dinheiro, cada vez que levanta voo”.

No entanto, disse que a TAP “não está a fazer nada de especial” porque todas as companhias anunciaram aumentos.

Interesse da Air France e Iberia é “boa notícia”

Por sua vez, a presidente executiva da TAP assinalou como “uma boa notícia” o facto de outros ‘players’, como a Iberia e Air France, terem manifestado interesse na companhia, ressalvando não saber se tal se vai concretizar.

“Penso que todos devemos estar felizes e orgulhosos por ver outros ‘players’ externos interessados nesta organização. Penso que isso demonstra o valor da empresa”, considerou Christine Ourmières-Widener.

Companhias como a KLM – Air France e a Iberia demonstraram, recentemente, interesse em comprar a TAP.

Porém, a responsável vincou que em causa estão apenas declarações de interesse e que a decisão final não está, em exclusivo, nas suas mãos.

“São notícias positivas, o que não quer dizer que isto vá mesmo acontecer”, sublinhou.

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