China diz que resultado em Taiwan “não representa opinião da maioria”. Taipé apela a Pequim para “respeitar os resultados”

Agência Lusa , DCT
14 jan, 08:07
Taiwan (Associated Press)

O consenso alcançado por Taipé e Pequim em 1992 afirma a unidade da ilha e do continente chinês.

A China alegou este domingo que os resultados das presidenciais de sábado em Taiwan, vencidas no sábado por William Lai Ching-te, de um partido tradicionalmente pró-independência, “não representam a opinião da maioria na ilha”.

“As eleições não mudarão o quadro básico e a tendência de desenvolvimento das relações através do Estreito” de Taiwan, disse Chen Binhua, porta-voz do gabinete chinês responsável pelas relações com Taipé.

Num comunicado citado pela imprensa estatal chinesa, Chen acrescentou que o resultado “não alterará a aspiração partilhada dos compatriotas de ambos os lados do Estreito de forjar laços mais estreitos”.

"Aderimos ao consenso de 1992 que reconhece o princípio de 'uma só China' e opomo-nos firmemente às atividades separatistas que buscam a 'independência de Taiwan', bem como à interferência estrangeira", acrescentou o porta-voz.

O consenso alcançado por Taipé e Pequim em 1992 afirma a unidade da ilha e do continente chinês.

Chen Binhua indicou ainda que a posição da China sobre “resolver a questão de Taiwan e alcançar a reunificação nacional permanece consistente e a nossa determinação é firme como uma rocha”.

O dirigente prometeu que Pequim irá trabalhar com “partidos políticos, grupos e pessoas relevantes de vários setores em Taiwan para impulsionar o intercâmbio e a cooperação através do Estreito, o desenvolvimento integrado e a promoção conjunta da cultura chinesa, bem como avançar no desenvolvimento pacífico das relações e na causa da reunificação nacional”.

O comunicado surgiu horas depois do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan ter apelado à China para “respeitar os resultados das eleições presidenciais”, que “demonstram mais uma vez a maturidade e a estabilidade da política democrática” da ilha.

Num comunicado, a diplomacia de Taipé defendeu que são “também a resposta e demonstração mais claras e firmes do povo taiwanês relativamente à situação no Estreito de Taiwan”.

O ministério apelou “às autoridades de Pequim para que respeitem os resultados das eleições, enfrentem a realidade e desistam de reprimir Taiwan”.

“Somente fazendo isso as interações positivas através do Estreito poderão regressar ao caminho certo o mais rápido possível”, acrescentou o comunicado.

William Lai, que era o candidato favorito de acordo com as sondagens, venceu as eleições presidenciais com 40,05% dos votos, de acordo com resultados finais.

O atual vice-Presidente cessante, de 64 anos, foi descrito por Pequim como um “sério perigo” devido às posições do Partido Democrático Progressista, que afirma que a ilha é de facto independente.

O estatuto de Taiwan é também um dos assuntos mais tensos na rivalidade entre a China e os Estados Unidos, o principal aliado militar do território, e Washington planeia enviar uma “delegação informal” à ilha após a votação.

Taipé apela a Pequim para “respeitar os resultados” eleitorais

Taiwan apelou à China para “respeitar os resultados das eleições presidenciais”, vencidas no sábado por William Lai Ching-te, que prometeu proteger a ilha das “contínuas ameaças e intimidações” de Pequim.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da ilha disse que as eleições presidenciais e legislativas “demonstram mais uma vez a maturidade e a estabilidade da política democrática de Taiwan”.

A diplomacia de Taipé defendeu que são “também a resposta e demonstração mais claras e firmes do povo taiwanês relativamente à situação no Estreito de Taiwan”.

O ministério apelou “às autoridades de Pequim para que respeitem os resultados das eleições, enfrentem a realidade e desistam de reprimir Taiwan”.

“Somente fazendo isso as interações positivas através do Estreito poderão regressar ao caminho certo o mais rápido possível e responder positivamente aos repetidos apelos da comunidade internacional para manter a paz, a estabilidade e a prosperidade”, acrescentou.

A China insistiu no sábado que a "reunificação" com Taiwan é "inevitável" e que se oporá às "atividades separatistas".

Num comunicado citado pela agência de notícias estatal chinesa Nova China, Chen Binhua, porta-voz do gabinete chinês responsável pelas relações com Taiwan, garantiu que “a votação não vai impedir a tendência inevitável de reunificação com a China”.

Nesse sentido, reiterou que não irá tolerar "atividades separatistas" em Taiwan.

"Vamos [...] opor-nos firmemente às atividades separatistas que visam a independência de Taiwan e a interferência estrangeira", advertiu Chen.

Num discurso após conhecer a vitória nas eleições, William Lai saudou os eleitores por resistirem a “pressões externas”, numa referência velada à China.

“Graças às nossas ações, o povo taiwanês resistiu com sucesso aos esforços das forças externas para influenciar estas eleições”, declarou Lai aos seus apoiantes, vincando que apenas a população do território “tem o direito de escolher o seu Presidente”.

No seu discurso de vitória, o candidato do Partido Democrático Progressista, no poder, saudou o eleitorado por abrir "um novo capítulo na democracia" da ilha, apesar das ameaças de Pequim.

“Quero agradecer ao povo de Taiwan por escrever um novo capítulo na nossa democracia”, declarou William Lai, acrescentando: “Estamos a dizer à comunidade internacional que entre a democracia e o autoritarismo, estaremos do lado da democracia”.

O Presidente eleito prometeu ainda assim “manter o intercâmbio e a cooperação” com Pequim.

Relacionados

Ásia

Mais Ásia

Patrocinados