Taça: Estoril-Benfica, 0-1 (crónica)

Adérito Esteves , Estádio António Coimbra da Mota, Estoril
9 nov, 22:51

De bicicleta para os oitavos

Às vezes, mais vale deixar o Fórmula 1 na garagem.

Há dias em que a máquina potente, por melhor performance que já tenha mostrado, não vale de muito.

Porque há caminhos esburacados. E aí é mais difícil acelerar. Mais vale ir com jeito. Mesmo que sem grande jeito.

Porque as estradas sinuosas tornam preferível outro meio de transporte. Uma bicicleta, por exemplo. Nem que seja uma bicicleta meio empenada.

Se for funcional e der para seguir em frente, mesmo que esteticamente não impressione, venha daí a bicla!

Foi isso que aconteceu nesta quarta-feira na Amoreira. Sem a potência ou a beleza de outras corridas, o Benfica montou-se numa bicicleta tosca para avançar para os oitavos de final da Taça de Portugal.

Três dias depois de ter goleado no mesmo estádio os canarinhos por 5-1, as águias sofreram com a eficácia, mas seguiram em frente na prova.

Em comparação com o onze de domingo, apenas entrou Neres para o lugar Chiquinho. O que fazia prever um Benfica avassalador.

A verdade é que a pouca rotatividade que o treinador deu à equipa não se fez notar na rotação dos motores encarnados.

Perante um Estoril bem mais sólido defensivamente, o Benfica demorou a arrancar. Meia hora pelo menos. Só depois disso se começou a ver um vislumbre do que tem sido a equipa de Schmidt, muito graças ao génio de Enzo que fez a equipa soltar-se das amarras.

Mas para arrancar mesmo a sério, o Benfica precisou de um vermelho.

Logo no segundo minuto da segunda parte, Francisco Geraldes rasteirou Rafa quando este se isolava e acabou expulso, fragilizando a equipa.

A partir daí, o Benfica instalou-se pacientemente na entrada da área do Estoril e foi carregando em busca de espaço e de um erro.

Erro que surgiu por aquele que estava a ser um dos melhores dos estorilistas. Dani Figueira, que antes negara pelo menos três golos certos, falhou uma saída a punhos após cruzamento de João Mário, e a bola sobrou para Neres que com uma bicicleta de improviso atirou para a baliza deserta e marcou o único golo da partida.

Se foi bonita? Não foi. Mas contou. E é montado nessa bicicleta tosca que o Benfica avança para os oitavos de final.

O Fórmula 1 fica para outras pistas. O importante era não derrapar.

 

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