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Portugal quer intensificar cooperação com São Tomé após acordo militar celebrado com a Rússia

9 mai, 07:30
Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros (LUSA)

Governo português destaca a defesa e a segurança como "pilares dessa cooperação bilateral" com o arquipélago

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) não se pronuncia publicamente sobre "atos de política externa", depois de São Tomé e Príncipe ter assinado um acordo de cooperação técnico militar com a Rússia, que prevê a participação em exercícios militares, bem como a visita de navios de guerra e aviação militar.

"A CPLP é uma organização de Estados soberanos, baseada na igualdade e no respeito mútuo, em que, em regra, não se fazem pronunciamentos públicos sobre atos de política externa de cada um dos seus Estados membros", afirma fonte do ministério à CNN Portugal.

A diplomacia portuguesa realça que Portugal tem há vários anos uma cooperação "multifacetada, intensa e sustentada" com países lusófonos como São Tomé e Príncipe. 

O MNE destaca a defesa e a segurança como "pilares dessa cooperação bilateral" com o arquipélago e garante que este trabalho não só é para manter como se planeia intensificar, com "particular destaque para a segurança marítima no Golfo da Guiné, em que tanto Portugal como a União Europeia têm avançando com apoios concretos".

O próprio primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, defendeu o acordo militar com a Rússia, sublinhando que este tem o mesmo formato que outros previamente assinados com outros parceiros. O acordo, celebrado por "tempo indefinido", prevê formação, utilização de armas e equipamentos militar e visitas de aviões, navios de guerra e embarcações russas ao arquipélago.

A própria oposição são-tomense criticou o secretismo em torno do acordo. “Trata-se de um acordo que em momento nenhum ouvimos qualquer comunicado do Conselho de Ministros a fazer alusão. Um acordo desta envergadura, numa área bastante sensível e atendendo o contexto mundial neste momento, penso que exige interação entre os vários órgãos de soberania”, afirmou Jorge Bom Jesus, líder da oposição são-tomense.

De acordo com a agência noticiosa russa Sputnik, que cita o documento publicado no portal oficial do governo, este acordo “contribui para fortalecer a paz e a estabilidade internacional” e permite a São Tomé e Príncipe receber apoio no campo da educação e da formação de pessoal, bem como apoio logístico e partilhar informações “no âmbito do combate à ideologia extremista”.

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