O que nos leva a querer partilhar determinadas coisas nas redes sociais?

CNN Portugal , DCT
18 set, 15:00
Redes sociais (Pexels)

Estudo analisa os mecanismos psicológicos e a conclusão é simples: é tudo uma questão de relevância

Já deu por si a partilhar as fotografias de umas panquecas, mas não da sopa que comeu ao almoço, ou de uma frase de um livro, mas não da série que está a ver? Há um motivo para as pessoas partilharem nas redes sociais umas coisas em detrimento das outras e, segundo a ciência, é tudo uma questão de relevância.

Publicado na revista Journal of Experimental Psychology: General, um estudo levado a cabo pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, diz que em causa está o fator “viralidade baseada em valor”, isto é, as pessoas publicam apenas aquilo que consideram relevantes para si mesmas e para quem as segue, de modo a obter retorno, seja em gostos, comentários ou partilhas.

Para este estudo, os investigadores analisaram o comportamento digital de três mil pessoas (analisadas em seis outros estudos), que foram expostas, de forma dividida e aleatória, a notícias e publicações nas redes sociais sobre saúde, alterações climáticas, eleições e covid-19. Todos os participantes avaliaram a importância do que viram e a probabilidade de partilhar o conteúdo e foi aqui que os cientistas notaram uma tendência para publicar aquilo que as pessoas acham que é relevante para si mesmas e que vai captar a atenção dos outros, que tendem a relacionar-se mais com quem vai ver.

“Essas descobertas estendem os modelos existentes de partilha de informações e destacam a relevância pessoal e social como mecanismos psicológicos que motivam a partilha de informações que podem ser direcionadas para promover a partilha entre contextos”, lê-se no estudo.

Para perceberem o impacto das partilhas no cérebro, os cientistas usaram equipamentos de ressonância magnética funcional (fMRI scanners) para entender como regiões específicas do cérebro moldam as percepções de si mesmo e daquilo que é a relevância social. E tal como acontece numa conversa ou numa mensagem escrita, partilhar informações nas redes sociais com outras pessoas, sobretudo informações que consideramos relevantes para nós e para os outros, ativa centros de recompensa no cérebro e os autores do estudo defendem que esta descoberta é fundamental para criar mensagens eficazes para causas sociais, melhorando a forma como o conteúdo chega a quem o vê, lê ou ouve.

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