Quem é Rand Paul? (não parece mas é uma pergunta sobre a guerra na Ucrânia)

19 mai, 17:09
Rand Paul (Jeff Dean, AP)

Como um só homem está a bloquear o apoio dos EUA à Ucrânia - por que motivo o faz e como o justifica

É assumidamente católico e afirma que vai regularmente à igreja, é também um forte defensor do porte de armas - diz que não cede um centímetro no que toca a essa temática. Está também ligado a várias ações de caridade: realiza cirurgias oftalmológicas gratuitas um pouco por todo o mundo, criou inclusivamente uma associação, a Southern Kentucky Lions Eye Clinic, que realiza consultas e cirurgias oftalmológicas a pessoas carenciadas. No seu site posiciona-se contra o antigo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: foi quando viu "o rumo que o país estava a tomar" nessa altura que decidiu concorrer ao Senado em 2010. Doze anos depois bloqueou a aprovação de ajuda financeira à Ucrânia no valor de 40 mil milhões de dólares, depois de votar contra a proposta de lei - uma só pessoa conseguiu bloquear o envio de milhares de milhões de euros. Afinal quem é Rand Paul e o que defende?

Embora tenha crescido no Texas foi pelo estado do Kentucky que se tornou eleito. A política acompanhou-o desde sempre: é filho do deputado republicano Ron Paul, cujas opiniões e políticas, aliás, são partilhadas por ambos. Rand Paul chegou a a anunciar em 2015 que ia concorrer a presidente dos EUA mas acabou por desistir devido à fraca popularidade. Ficou-se pelo senado, trocando assim as cirurgias oftalmológicas pelas operações políticas. Desde então intitula-se "defensor das liberdades constitucionais e das responsabilidades fiscais" e diz-se "ferozmente" contra "os exagero do governo".

“Gastamos milhares de milhões de dólares a enviar dinheiro para outros países que nos odeiam. Porque é que os contribuintes americanos são responsáveis por outros países?”, é o que se pode ler na página oficial de Rand Paul, que defende um investimento americano no próprio país e não no estrangeiro. É uma opinião que aplica à guerra na Ucrânia.

“É altura de colocar o nosso país em primeiro lugar”, defende Rand Paul. Esta tese política relaciona-se com as opiniões de Rand relativamente ao tópico guerra: “ Nos últimos anos, a América gastou milhões de dólares e milhares de vidas numa ‘construção democrática’ descontrolada, unilateral e sem fim no exterior”, pode-se ler na página do Senador.

Rand Paul defende assim que os EUA devem proteger os seus interesses e o interesse dos seus cidadãos, sendo que a decisão de uma guerra não pode ser tomada de "ânimo leve". “Devemos restaurar a supervisão do Congresso, acabando com a política de AUMF( Authorization for Use of Military Force) . que permite que o governo comprometa vidas e dinheiro americano sem aprovação.”

Esta é uma posição que também reflete o ponto de vista do senador relativamente ao apoio americano ao Afeganistão. A 15 de abril de 2021, Rand Paul propôs um projeto de lei para retirar todas as forças armadas dos EUA do Afeganistão. Isto porque, segundo o próprio, desde 2001 foram gastos 3 triliões de dólares americanos em ajuda àquele país, morreram 2300 soldados e 20 mil ficaram feridos.

“Uma guerra sem fim enfraquece a nossa segurança nacional, cria dívidas que rouba esta geração e as gerações futuras e cria inimigos para nos ameaçar. Por mais de 19 anos, os nossos soldados foram além do que lhes foi pedido no Afeganistão. É hora de declarar a vitória alcançada há muito tempo (com a morte de Osama Bin Laden), trazer as nossas tropas para casa e pôr as necessidades dos EUA em primeiro lugar."

Um novo imposto?

No final do mês de abril, Rand Paul afirmou que a Ucrânia e a Geórgia fizeram parte da União Soviética - uma afirmação que causou polémica porque a opinião público viu nisso um apoio tácito à invasão russa da Ucrânia. Dentro do mesmo tópico, o senador declarou que "não há justificação para a invasão", mas que há "razões para a invasão".

Relativamente ao bloqueio da proposta de lei de ajuda militar e humanitária à Ucrânia no valor de 40 mil milhões de dólares, Rand Paul justificou a sua decisão defendendo que "não podemos salvar a Ucrânia condenando a economia dos EUA" e acrescentou que "esta é a segunda despesa com a Ucrânia em dois meses". "E esta despesa é três vezes maior que a primeira. O congresso só quer continuar a gastar e a gastar."

Num artigo publicado no site Liberty Tree, Rand Paul afirma que considera a ajuda à Ucrânia um ato nobre, no entanto argumenta que é importante considerar outras questões - e que é até "irresponsável" emprestar um valor tão elevado desta forma.

“A dívida dos EUA está perto de 30 biliões de dólares. Só nos últimos dois anos acrescentamos seis biliões de dólares à dívida. A inflação continua a subir. As faturas do supermercado estão a castigar a classe média e baixa e o preço dos combustíveis sobe. Pondo de lado as questões constitucionais de doar 40 mil milhões de dólares à Ucrânia, não haverá uma forma fiscalmente mais responsável de o fazer?”

Deste modo, Rand Paul tem algumas sugestões, como a de retirar o valor da doação à Ucrânia de um outro orçamento, como o orçamento militar, a sugestão de cortar em "gastos inúteis" de forma a ser possível realizar a doação ou até mesmo a sugestão de criar um imposto de apoio à Ucrânia.

O certo é que a decisão de Rand bloqueou o envio de ajuda e atrasou a votação uma semana, sendo que o Senado volta a analisar e a votar o projeto de lei esta quinta-feira. Sem o seu acordo, o projeto pode ser aprovado mas o processo é complexo.

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