Seul confirma que Pyongyang disparou míssil balístico intercontinental. EUA e Japão condenam ato, mas China apoia

Agência Lusa , DCT, atualizado às 06:39
18 dez 2023, 06:08
Míssil lançado pela Coreia do Norte (Photo by Kim Jae-Hwan/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

O disparo acontece três dias depois de o conselheiro adjunto para a segurança nacional da Coreia do Sul, Kim Tae-hyo, ter afirmado que tinham sido detetados sinais de que o regime de Kim Jong-un poderia lançar um ICBM nos próximos dias.

As Forças Armadas da Coreia do Sul confirmaram que o projétil lançado esta madrugada pela vizinha Coreia do Norte é um míssil balístico intercontinental (ICBM), o quinto disparado por Pyongyang este ano.

"As nossas forças armadas detetaram o que se crê ser um míssil balístico de longo alcance lançado da zona de Pyongyang para o mar do Leste [nome dado ao mar do Japão nas duas Coreias] por volta das 08:24" (23:24 de domingo em Lisboa), declarou o Estado-Maior Conjunto sul-coreano em comunicado.

O Ministério da Defesa japonês confirmou a hora do lançamento e acrescentou que o míssil aterrou por volta das 09:37 (00:37 em Lisboa) fora da zona económica especial do país, 250 quilómetros a oeste da ilha de Okushiri, perto de Hokkaido (norte), segundo a emissora estatal nipónica NHK.

A duração do voo coincide com os anteriores lançamentos deste tipo de míssil por Pyongyang e com a trajetória curva utilizada para testar este tipo de míssil.

O lançamento ocorre depois de a Coreia do Norte ter lançado outro míssil balístico de curto alcance no domingo e marca o 27.º teste de armamento registado por Pyongyang só este ano.

O disparo acontece, além disso, três dias depois de o conselheiro adjunto para a segurança nacional da Coreia do Sul, Kim Tae-hyo, ter afirmado que tinham sido detetados sinais de que o regime de Kim Jong-un poderia lançar um ICBM nos próximos dias.

O último ICBM que Pyongyang testou foi lançado em julho, quando disparou um projétil Hwasong-18 de combustível sólido a partir dos arredores da capital norte-coreana.

Com este lançamento, o regime atingiu um recorde de cinco mísseis intercontinentais lançados este ano.

China garante apoio à Coreia do Norte após novo lançamento de míssil balístico

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, garantiu hoje o “firme apoio” do seu país à Coreia do Norte, após Pyongyang ter lançado um novo míssil balístico intercontinental, algo criticado por Seul, Tóquio e Washington.

A China, que partilha uma fronteira comum com a Coreia do Norte, é o principal parceiro político e económico do país, alvo de uma série de sanções internacionais.

“Diante da turbulência internacional, a China e [a Coreia do Norte] sempre se apoiaram firmemente e confiaram uma na outra”, disse Wang Yi, durante uma reunião em Pequim com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Pak Myong Ho.

De acordo com um comunicado da diplomacia chinesa, Wang Yi disse que "a amizade tradicional” entre os dois países “é um ativo valioso".

Estes comentários foram divulgados depois de a Coreia do Norte ter lançado hoje um míssil balístico intercontinental (ICBM), o quinto disparado por Pyongyang este ano.

No sábado, a agência de notícias oficial da Coreia do Norte avançou que Pak Myong Ho trocou “opiniões sobre o fortalecimento das relações bilaterais em 2024” com o seu homólogo chinês, Sun Weidong, em Pequim.

Os dois responsáveis discutiram em particular “questões de interesse comum e (...) o reforço da cooperação estratégica entre os dois países”, indicou a KCNA.

Esta última ação norte-coreana surge também depois de Pyongyang ter anunciado, a 23 de novembro, o cancelamento da aplicação de um tratado militar com Seul, assinado em 2018 para reduzir a tensão nas zonas fronteiriças.

EUA e Japão condenam disparo de míssil balístico intercontinental por Pyongyang

Os Estados Unidos e o Japão condenaram o lançamento, hoje, de um míssil balístico intercontinental (ICBM) norte-coreano, declarou o porta-voz do Departamento de Estado.

"Estes lançamentos, tal como os outros lançamentos de mísseis balísticos efetuados por Pyongyang este ano, violam várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", declarou, em comunicado, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à agência de notícias France-Presse (AFP), quando ainda era domingo naquele país.

Os lançamentos "representam uma ameaça para os vizinhos da RPDC [República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte] e comprometem a segurança regional", acrescentou o comunicado.

O Japão também reagiu negativamente, admitindo que os últimos dois lançamentos de mísseis norte-coreanos constituem "uma ameaça para a paz e a estabilidade na região".

"Condenamos firmemente" estes lançamentos, notou o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, sublinhando que os disparos violam igualmente as sanções contra Pyongyang adotadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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